13 Reasons Why é provavelmente a série mais fraturante da Netflix. A adaptação do livro de Jay Asher foi a série da plataforma de streaming mais discutida no Twitter e continua a dar que falar. Nos últimos dias, alguns dos atores que fizeram parte do elenco da primeira temporada concederam entrevistas à The Hollywood Reporter e responderam a críticas feitas ao programa.

Lê a reportagem: 13 Reasons Why: “Entre o pensamento e o ato há uma pequena distância”

A escolha de representar cenas de violência sexual e o retrato gráfico do suicídio da protagonista têm dividido as opiniões. De um lado, há quem aplauda a história, por consciencializar sobre a temática do suicídio jovem. Mas os críticos apontam como falhas a glorificação do fenómeno e notam que a representação não oferece alternativas.

A possibilidade de Alex ter morrido é uma das incógnitas que o final da temporada deixa em suspenso. A hipótese de ele ter cometido suicídio, tal como Hannah, é um dos implícitos que o último episódio mantém em aberto. Miles Heizer, que deu vida à personagem no pequeno ecrã, rejeitou as reações.

Discordo completamente. É uma posição muito estranha a retirar da série, indicou à THR. “Ela oferece definitivamente uma alternativa ao suicídio”, garantiu. “O objetivo era mostrar que a Hannah sentia não ter ninguém, quando na realidade tinha, e toda a gente tem.

Sobre as avaliações que consideram ser uma romantização do assunto, acrescentou: “Não glorifica [o suicídio] de maneira alguma. É necessário mostrar a realidade brutal das coisas.” “É uma imagem muito realista e mostra que é uma experiência horrível.

Muitas pessoas temem a realidade da situação e aquilo pelo que as pessoas passam quando acontece. Quando vês [a cena], ela abre-te os olhos para a necessidade de não deixares que aconteça a ninguém”, explicou. “Faz-te querer ajudar as pessoas e marcar a diferença.

13 Reasons Why

Jessica, interpretada por Alisha Boe, é vítima de violação na história. [Foto: Beth Dubber/Netflix]

Alisha Boe esteve na semana passada numa conferência, no âmbito da campanha de prevenção da violência sexual It’s On Us. A atriz, que interpreta Jessica, foi acompanhada pelo ex-vice-presidente norte-americano Joe Biden.

A jovem contestou a ideia de se censurarem as cenas mais chocantes da narrativa. “Não devem ser censuradas de todo. Se ignorarmos a cena do suicídio, o público vai pensar que foi fácil. “Temos mesmo de mostrar o quão feio é, e o quanto pode afetar a vida de uma pessoa. Não é fácil e não deveria ser fácil de ver”, referiu.

Boe argumentou que aquilo que distingue 13 Reasons Why de outros programas para adolescentes é “não ter medo de mostrar aquilo que os jovens fazem realmente.” “Entendemos o que os jovens adultos podem fazer e não o omitimos. Li o livro no ensino básico e a mensagem do livro manteve-se comigo e fez-me perceber que deveria tratar as pessoas melhor, porque nunca sabemos aquilo que os outros podem estar a atravessar.

13 Reasons Why

Justin [direita] é o primeiro destinatário da coleção de cassetes deixadas por Hannah. [Foto: Beth Dubber/Netflix]

As pessoas estão a falar sobre isto, porque é um assunto sobre o qual não se fala”, comentou Brandon FlynnSe a cena for gráfica demais para algumas pessoas, talvez isso seja bom, porque assim o público vai debatê-la.

O ator, que veste a pele de Justin na ação, mencionou o empenho da Netflix em estabelecer parcerias com organizações ligadas à saúde mental e referiu que a série tem incentivado o público mais vulnerável a procurar apoio.

As pessoas têm telefonado [para as linhas de apoio] e têm procurado ajuda”, indicou. “Isso é inacreditável. Prova que existe um problema e que há jovens adultos por todo o mundo que estão em desespero. Depois de a série estrear, eles revelaram-se e agora estão em busca de apoio. Isso é fantástico.

Se precisares de conversar liga para linha SOS Voz Amiga.
Funciona diariamente, entre as 16h e as 00h, através dos números 213 544 545, 912 802 669 e 963 524 660.
A linha verde funciona das 21h às 00h, no 800 209 899.
Se estiveres em risco imediato, pede ajuda aos serviços de urgência, através do 112.