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Sofar Sounds Lisbon, uma feira de canções com um pouco de ginger & lime

Sofar Sounds Lisbon voltou a agraciar-nos com mais uma edição, no dia 22 de abril, no espaço ocupado pela associação Anjos70, antiga localização da conhecida Feira das Almas, no Regueirão dos Anjos. Duas bandas e um one man show pelo meio, o Espalha-Factos continua convencido de que os concertos-mistério estão para ficar.

A ocupar talvez apenas um terço do espaço, os instrumentos encontram-se numa das laterais. Um dos artistas convidados está a ensaiar e prevê-se uma tarde verdadeiramente mágica. Do outro lado, encontra-se uma banca com um barman, de camisa tropical às flores, a servir Jameson Ginger & Lime.

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Quando a fila se começa a formar para um pouco de refresco, sentimos saudades da Bandida do Pomar, que encontrámos num frigorífico, como se em casa, no lounge do Lost Lisbon. De copo na mão regressamos ao sofá, mesmo ao lado da porta por onde entrámos. Ao molhar os lábios, decidimos que a fila não incomoda assim tanto.

Enquanto o início não é anunciado, conversa-se ao som da música que sai de umas colunas algures. Reconhecemos a Serenata de Slow J, à medida que o público se começa a sentar nos pufes e tapetes espalhados pelo chão. Entretanto pede-se silêncio, primeiro para explicar o conceito, importado de Londres, de concertos-mistério, em que o localização só é divulgada no próprio dia e os artistas na hora, e de ambiente íntimo, sem palco, luzes ou holofotes.

A tarde abre com quartoquarto, banda que participou na edição de 2015 do Concurso Nacional de Bandas da Antena 3. Em português, com a voz de João Vidigueira, afirmam reunir Zeca Afonso e James Blake. Aplaudimos a eletrónica que fica no ouvido e as letras a gosto, que dizem falar de corações partidos.

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João Vidigueira, vocalista dos quartoquarto

Pelo meio, surge silly boy (Miguel Vaz), que estivera a tocar um bocadinho antes de tudo começar. Sozinho, com uma guitarra acústica (e, depois, também um kazoo), letras originais e encantadoras, lança o seu charme folk. Conseguimos imaginar-nos numa sala vazia, só um sofá e copo de tinto na mão, umas quaisquer cortinas transparentes a esvoaçar de janela aberta, enquanto o sol se põe, e ouvimos Did You Say Something? em loop.

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Miguel Vaz ou silly boy

 

Para abandonar a nostalgia e terminar numa onda um pouco mais pop/rock, embora com alguns toques de folk e indie, surgem os Wellman e um pouco de Shrimp, o primeiro álbum deste quinteto cheio de energia.

Desta vez nem se deu pelo intervalo. O Jameson bebe-se mais devagar que a Bandida do Pomar, molha-se os lábios enquanto se mexe o pé, com mais ou com menos intensidade. Os artistas muito menos conhecidos. Nunca ouvimos falar em silly boy e temos pena de não termos um disco para levar para casa, mas já sabemos que dá para ouvir no soundcloud.

Por outro lado, temos a certeza que vamos ouvir falar de Wellman e da sua música soalheira, como quem diz, perfeita para ilustrar as férias de verão. Quanto aos quartoquarto, para além de ser música em português (sim, é a segunda vez que o digo, mas é um ponto importante), João Vidigueira tem intensidade na voz e atua de corpo e alma.

As próximas edições do Sofar Sounds Lisbon decorrem no dia seis e 20 de maio. Podem tentar arranjar um lugar no site oficial.

Fotografias: Raquel Dias da Silva

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