Durante o século XX, Portugal passou por um período de ditadura sob a figura de António de Oliveira Salazar. Uma das áreas que mais sofreu com o regime de Salazar foi a cultura. Os artistas podiam criar as obras que queriam, mas isso não quer dizer que elas fossem aprovadas pela comissão de censura, que passava um lápis azul pelas obras consideradas impróprias.

O Espalha-Factos pensou em algumas séries que não passariam na televisão na altura do Estado Novo.

 

A Joia de África | 2002

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A série desenrola-se em Moçambique, uma das ex-colónias de Portugal, na segunda metade dos anos 50, em plena ditadura de Salazar. A história é sobre Romão, que descobre que não é filho de quem sempre pensou. Então, parte à procura das suas origens.

Em A Joia de África, somos presenteados com diferentes noções do relacionamento dos brancos com os negros. Não acreditamos que isto seria aprovado por Salazar, pois deveria querer que só uma visão, a sua, fosse exposta à população.

Prison Break | 2005-2009

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O regime de Salazar foi também marcado pela presença da imponente Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Muitas pessoas foram presas pela PIDE, que “abafava” todas as posições que fossem contra o regime.

Prison Break, no final da primeira temporada, mostra-nos um grupo de reclusos que consegue fugir da prisão. Só por isto, seria muito pouco provável vermos a série a passar durante o Estado Novo. A PIDE passava a imagem de que era implacável, e uma série que mostra pessoas a fugirem de uma grande prisão não seria do agrado do regime.

Lucifer | 2015-Presente

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“Deus, Pátria e Família”, dizia assim a Lição de Salazar. A religião sempre foi um dos pilares do seu regime. Salazar considerava essencial a devoção a Deus. Aprovaria ele uma série sobre o diabo a andar na Terra?

Falamos de Lucifer, que segue o próprio diabo na sua aventura em Los Angeles, depois de se sentir aborrecido com o Inferno. A personificação do diabo e o facto de ele andar no meio dos comuns mortais seria censurado, quase de certeza.