A maioria dos membros da Writers Guild of America (WGA) votou a favor de uma greve a iniciar-se a 2 de maio, caso as negociações com a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP) não cheguem a bom porto.

Na passada semana, a WGA deu a votar aos membros a decisão de avançar, ou não, com uma paralisação, a iniciar a 2 de maio. Em causa estão negociações de um novo contrato de três anos com a AMPTP (associação que reúne mais de 350 estúdios e produtoras de cinema e televisão), a iniciar hoje.

Os resultados da votação divulgados ontem (24) não deixam margem para dúvidas: dos 6310 profissionais que votaram – cerca de 70% dos membros elegíveis do sindicato –, 96.3% foram a favor da greve. Se não forem correspondidas as exigências dos argumentistas para o próximo contrato até dia 1 – altura em que o atual chega ao fim – inicia-se a paralisação.

Em agradecimento aos membros, o comité de negociação garantiu estar “determinado a conseguir um contrato justo”. A discussão entre as duas associações é retomada hoje e é possível que se estenda até ao fim-de-semana, podendo até o prazo para início da greve ser adiado conforme a iminência de um acordo que beneficie ambas as partes.

A revolta da WGA prende-se com a perda de rendimento face a um negócio audiovisual mais próspero que nunca, contratos injustos que impedem a hipótese de os argumentistas partir para novos projetos televisivos durante um ano, e carências no seguro de saúde e pensões dos profissionais.

 

As consequências podem ser imediatas

Caso a greve se inicie, é de esperar que os late night shows parem de imediato, já que são escritos diariamente, não com um período de avanço. Muitas séries, incluindo badalados exemplos como American Horror Story e The Walking Dead, deverão ver a data de estreia e número regular de episódios das suas novas temporadas em risco. No negócio do cinema, é de esperar que bastantes blockbusters a iniciar produção nos próximos meses, para estrearem ao longo de 2018, tenham a escrita dos seus argumentos apressada, resultando em filmes que poderão vir a ser insatisfatórios para a crítica e público em geral.

A anterior greve da WGA, iniciada a novembro de 2007 e tendo-se estendido por 100 dias, foi um período difícil para Hollywood, tendo havido enormes quebras na quantidade e qualidade dos produtos cinematográficos e televisivos estreados em 2008 e 2009. Na altura, “apenas” 90,3% de 5607 membros votantes foi a favor da greve.

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