Party Sleep Repeat 2017: um dia, a mesma fórmula

No regresso do Party Sleep Repeat à Oliva Creative Factory, em S. João da Madeira, para a sua quinta edição, Toulouse e Riding Pânico foram alguns dos destaques do dia. Contrariamente à quarta edição, o festival encurtou a sua duração para um dia, mas manteve o mesmo número de artistas, distribuídos por dois palcos.

Abrindo o Palco Alameda pelas 17 horas, o duo portuense The Sunflowers espalhou o seu garage rock perante uma plateia já algo numerosa. Como se a elevada temperatura em recinto aberto não bastasse, Carol Brandão e Carlos de Jesus sobreaqueceram cerca de uma centena de pessoas com The Intergalactic Guide to Find the Red Cowboy, o primeiro longa-duração da banda, editado no ano passado.

O psicadelismo desengonçado com uma base orelhuda de temas como The Witch, Zombie e do single Hasta La Pizza / Rest in Pepperoni surtiram efeito sobre o mood dos festivaleiros, que espelharam a energia e a transpiração presentes no palco. No final, houve ainda tempo para homenagear o godfather of punk, Iggy Pop, que tinha recentemente comemorado 69 primaveras.

Um hora e meia depois, os Toulouse apresentaram Yuhng, o primeiro registo em estúdio do quarteto natural de Guimarães, editado em 2016. As melodias hipnotizantes do disco rapidamente contagiaram a plateia, que se manteve moderadamente irrequieta. Fora do álbum, Tero! e Desire Lines, dos Deerhunter, fizeram parte de um agradável alinhamento que encerrou com Juniper.

Seguiu-se a única atuação internacional do Party Sleep Repeat, com a pop psicadélica dos Baywaves. Oriundos de Madrid e popularmente projetados pelo single Time Is Passing U By, os autores do EP Only for Uz entreveram um público que, em diálogos paralelos, demonstrava gradualmente a sua ansiedade face ao encontro que iria opor as formações do Sporting e do Benfica. Por essa mesma razão foi colocado, na zona da alimentação do recinto, um ecrã, assegurando a transmissão do derby lisboeta e coincidindo com o dj set de Adão.

Inaugurando o Palco Sala dos Fornos, às 22h, os Prana jogaram em casa. Variando entre temas de Trapo Trapézio, d’O Amor e Outros Azares e do seu futuro sucessor, Diogo Leite, João Ferreira e Miguel Lestre receberam uma das ovações da noite e foram acolhidos por uma plateia notoriamente conhecedora do seu trabalho. Após uma dedicatória a Luís Fernandes Lima, o trio tocou Naco e continuou a percorrer a sua curta discografia.

Numa morna apresentação do seu álbum homónimo, os Marvel Lima tocaram, entre outras faixas, Demência, Mi Vida, Amarrada e Finale, no seu registo psicadélico e groovy.

Um dos grandes momentos da noite foi protagonizado pelos Riding Pânico. A intensidade e a fusão instrumental caótica da banda deliciaram por completo o público. Makoto Yagyu recordou o lançamento de Rabo de Cavalo, álbum editado em março do presente ano, que preencheu maioritariamente o espetáculo. Assim, o single Rosa Mota, Taxi Mágico e Louva-a-Deus foram alguns dos destaques da atuação dos lisboetas.

O headliner do festival, The Legendary Tigerman, esteve em plena sintonia com a plateia desde o momento em que pisou o palco, recebendo-o calorosamente. A turma comandada por Paulo Furtado viajou pela sua discografia, não fugiu às inevitáveis These Boots Are Made For Walkin’ e Twenty First Century Rock’n’Roll, aproveitando ainda para estrear temas como Black Hole, que figurará no próximo álbum cujo lançamento está previsto para setembro.

Na after party do Party Sleep Repeat, La Flama Blanca e A Boy Named Sue prolongaram devidamente a noite para os mais resistentes.

Fotografia de Luís Pereira

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