Os membros da Writers Guild of America (WGA) podem vir a entrar em greve já dia 2 de maio. Em causa, dizem, estão os baixos rendimentos e direitos laborais dos argumentistas, por oposição aos crescentes sucessos e novas formas de lucro que surgiram no negócio dos produtos audiovisuais dos últimos anos.

Na passada semana, a WGA deu a votar aos membros a decisão de avançar, ou não, com uma paralisação, decisão a divulgar esta segunda-feira (24). No dia seguinte, serão retomadas as negociações com a Alliance of Motion Picture and Television Producers, que reúne mais de 350 estúdios e produtoras de cinema e televisão, a fim de chegar a um acordo para os próximos três anos.

Se não forem correspondidas as exigências do sindicato até à meia-noite de 1 de maio – data de expiração do contrato –, e caso a maioria da votação tenha sido a favor da greve, esta iniciar-se-à no dia seguinte. Os argumentistas alegam estar a perder rendimento – menos 23% só nos últimos dois anos –, estando sujeitos a contratos injustos e que dificultam a sua subsistência.

Muitos profissionais vêem-se contratualmente obrigados a permanecer vinculados com a produção de séries televisivas. As temporadas destas são cada vez mais curtas – antes rondavam os 20 episódios, agora cerca de 12, pelo que os argumentistas, a juntar ao facto de não poderem partir para novos projetos durante um ano, ganham cada vez menos.

A maior exigência da WGA recai sobre o direito a escrever para mais do que uma produção, mas encontram-se também pedidos como um seguro de saúde e pensão com mais regalias, assim como, no caso de repetição de programas, o pagamento de royalties.

Televisão será a mais afetada

O negócio da TV parece ser o que tem mais a perder com a iminente paralisação, mas o cinema comercial também está em risco, em particular as sequelas, spin-offs e filmes pertencentes a universos cinematográficos. O crescimento das receitas de bilheteira internacionais tem sido um dos focos de descontentamento, já que os ganhos raramente são repartidos proporcionalmente com os argumentistas.

Toda a situação traz à memória a última greve da WGA. Considerada um dos períodos mais negros para a Hollywood contemporânea, iniciou-se em novembro de 2007 e durou 100 dias. O principal objetivo na altura era garantir para os profissionais uma porção das receitas dos media caseiros (DVDs, Blu-Rays, plataformas de streaming), uma resolução que hoje já parece insuficiente.

Aquando da paragem, foram apressados os argumentos de blockbusters como 007: Quantum of Solace, Transformers: Retaliação e X-Men – Origens: Wolverine, que, aquando da estreia, vieram a ter receção negativa por parte da crítica e do público.

Na televisão, foram encurtadas forçosamente temporadas de séries como 30 Rock, Perdidos e Serviço de Urgência. O período exigiu a repetição de episódios para preencher a programação, tendo os late night shows sido também afetados. Nisto, houve ainda espaço para o crescimento dos reality shows, que encontravam pouca competição na grelha.

Estima-se que a economia da área de Los Angeles tenha tido na altura um prejuízo entre 380 milhões e 2 mil milhões de dólares.