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Foto: VisualHunt

Seis músicas que tiveram livros como inspiração

Hoje é Dia Mundial do Livro. Além de te mostrarmos algumas das iniciativas marcadas para assinalar este dia, é também uma oportunidade para mostrarmos o que acontece quando a literatura e a música se unem. Aqui ficam seis músicas cuja inspiração saiu de livros de culto do mundo da literatura.

Alt- J – Breezeblocks – O Sítio das Coisas Selvagens, de Maurice Sendak

Na mais conhecida música de Alt-J, os britânicos perguntam “do you know where the wild things go?”, numa referência ao clássico infantil de 1963, que os Alt-J já afirmaram, em entrevistas, terem crescido a ler.
“Oh, please don’t go! We’ll eat you whole! We love you so!” é uma das coisas que as criaturas selvagens dizem a Max, o protagonista – só que na música de Alt-J transforma-se em “please don’t go, I love you so”. Tal como o conto infantil também tem o seu quê de twisted, também a versão de uma canção de amor dos Alt-J parece referir-se a uma relação bem estranha. CR

Nirvana – Scentless Apprentice – O Perfume, de Patrick Suskind

Coisas que já são clássicos: Nirvana e o livro O Perfume – História de um Assassino (spoiler alert – é um dos meus livros favoritos). O título do tema dos Nirvana, que faz parte do disco In Utero, de 1993, vai logo buscar a temática de Jean-Baptiste Grenouille. A personagem principal do livro é um órfão parisiense no século XVIII, sem odor corporal, mas com um incrível olfato, que se torna num aprendiz de perfumista – e assassino de jovens mulheres nos tempos livres.
Tudo com o objetivo de conseguir captar as essências mais puras. Diz-se ainda que O Perfume seria uma dos livros favoritos de Kurt Cobain, daí a referência. Scentless Apprentice é ainda uma das músicas que tem todos os membros da banda nos créditos de autoria. CR

Alt-J – Fitzpleasure – Last Exit to Brooklyn, de Hubert Selby Jr.

Se há coisa para a qual os Alt-J têm jeito, é para contar histórias. Mesmo que essas histórias sejam tudo menos… cor-de-rosa. An Awesome Wave parece estar repleto de referências literárias, como já dá para perceber.
Lançado em 1964, Last Exit to Brooklyn retrata a brutalidade e desencanto da vida urbana. Com o passar dos anos, o livro foi ganhando o estatuto de livro de culto, mas, nos anos 60, falar sobre droga, prostituição, transformismo, violência doméstica ou abuso sexual era um atentado aos bons costumes da época.
Voltemos aos Alt-J: Tralala, referido nos primeiros segundos da música, é o nome de uma das personagens do livro, uma jovem prostituta. “In your snatch is pleasure, a broom-shaped pleasure” é um dos versos da música, que remete para uma das situações mais horríveis de Last Exit to Brooklyn, que envolve uma violação e uma vassoura. CR

David Bowie – 1984 – 1984 de George Orwell

David Bowie escreveu esta música para um musical que pretendia fazer baseado no 1984 de George Orwell, a distopia mais famosa da literatura, e uma das minhas obras favoritas (guilty!).
Retirada do álbum Diamond Dogs, lançado em 1974, constitui uma referência direta às ideias orwellianas de totalitarismo e alienação bem como à prisão da personagem central do romance – Winston Smith. “Beware the savage jaw of 1984”! Com uma sonoridade bastante pré-apocalíptica e misteriosa consegue ser das melhores homenagens a 1984 que, em 2017, faz ainda mais sentido. E, com a partida de Starman, com quem podemos contar no fim do mundo? CaR

Radiohead – Paranoid Android – Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, de Douglas Adams)

Claro está que um dos hits dos Radiohead, saído do Ok Computer (com quase, quase 20 anos!), teria de estar relacionado de alguma forma com a monotonia da vida moderna, tecnologia e alienação, os temas prediletos de Thom Yorke. Paranoid Android foi baseada numa personagem da obra Hitchhiker’s Guide to the Galaxy de Douglas Adams – o robô Marvin, the Paranoid Android.
Este Marvin é um andróide que sofre com uma depressão severa e tem capacidade para resolver todos os problemas do mundo exceto os seus. O verso “when I am king, you will be first against the wall” é retirada dum excerto do livro de Adams. Toda a letra de Paranoid Android é de certo modo ambígua e Yorke deixa sempre espaço para várias interpretações. No entanto ele conduz-nos sempre ao seu estado mental de paranóia e ansiedade alimentado pela sua crise existencial. CaR

The Strokes – Soma – Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

“Soma is what they would take when / Hard times opened their eyes, saw pain in a new way”. Referenciando Brave New World, ou Admirável Mundo Novo em Português, obra de Aldous Huxley, Julian Casablancas e companhia contam a história de uma droga utilizada para libertar a população do futuro da sua negatividade emocional. DD

Escolhas de Cátia Rocha, Carlota Real e Daniel Dantas. 

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