Em maio irá decorrer na Cinemateca Portuguesa o ciclo Almada, da dança das formas à imaginação. Será exibido um conjunto de filmes que descreve a relação complexa de Almada Negreiros, figura cimeira do modernismo português cuja obra multifacetada se destaca tanto nas artes plásticas como na escrita, com o cinema, modo de expressão artística contemporâneo da vanguarda modernista do autor da geração de Orpheu.

Mas, mais do que a mera sincronia temporal, com esta programação a Cinemateca propõe-se a mostrar como entre Almada e o cinema há afinidades essenciais, que o nome do ciclo deixa antever: sobretudo, um gosto pela vertigem das formas, do movimento e da imaginação. É no sentido de ilustrar essa relação que serão contempladas obras tão díspares como as de Walt Disney, Charlie Chaplin e Edgar Pêra, nas quais o cinema se afirma como uma arte autónoma e futurista.

O ciclo abre com a apresentação de Almada, Um Nome de Guerra, de Ernesto Sousa, dia 16 de maio às 19h, e termina com a projeção de vidros para lanterna mágica, recentemente descobertos, que Almada Negreiros concebeu para o espectáculo La tragedia de Doña Ajada (1929). Importa ainda referir que este programa foi pensado em articulação com a exposição “José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”, presente no Museu Calouste Gulbenkian até dia 5 de junho.