É a pequena/grande casa dos sonhos onde miúdos e graúdos aprendem a pensar a sétima arte; o lugar onde descobrem a origem do zootrópio, a utilidade de um ‘storyboard’ e a mecânica por detrás do funcionamento de uma lanterna mágica. A Cinemateca Júnior, em actividade desde abril de 2007 no Palácio da Foz, em Lisboa, completa dez anos de valioso serviço público e, em jeito de celebração, preencheu o seu programa mensal com eventos de carácter educativo para todas as faixas etárias.

O objectivo é “pôr os miúdos a pensar o que é o museu do cinema e o que é a história do cinema, uma imagem, um filme; como se aprende a ver o filme e a despertar o desejo e a paciência de saber ver, olhar para um filme”, explica a programadora Neva Cerantola, a trabalhar na Cinemateca Júnior desde a sua origem.

Entre as actividades que integram o programa contam-se ateliers, oficinas de cinema e imagem em movimento, sessões de cinema e visitas guiadas para escolas e famílias dedicadas à História do cinema. As oficinas para jovens e e crianças realizam-se semanalmente, entre as 11h e as 13h, e ensinam, entre outras coisas, o essencial da escrita e realização de um filme. Está ainda prevista a realização, na sede da Cinemateca, de um encontro acerca da relação entre o cinema e a educação.

Segundo Cerantola, o facto de a Cinemateca Júnior se localizar no Palácio da Foz, um edifício com mais de 50 anos, é um factor apelativo, que torna especial e diferente a experiência de ver e discutir o cinema. “Eu acho que há muitos pais que escolhem a Cinemateca Júnior por ser um espaço diferente de outras propostas que há na cidade; podem ter acesso a objetos, conversar, sem ter outras distrações. Isto tem outro tempo. Tudo isto é um bocadinho diferente. É um cantinho especial que se encontra na cidade”, disse a programadora.

Para o director da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa, formar os públicos é uma missão fundamental que a Cinemateca na sua generalidade, e a Cinemateca Júnior em particular, tomaram como sendo sua responsabilidade. “Este espaço é absolutamente essencial. Nós tínhamos a perceção disso (…). Aqui trata-se de pensar especificamente o que fazer com camadas etárias que hoje em dia estão afastadas do cinema”, afirmou o director.

A programação que celebra a primeira década de vida da Cinemateca Júnior estende-se ao longo de todo o mês de abril mas terá especial destaque no sábado, dia 22, dia em que a entrada será livre e gratuita.