13 Reasons Why estreou a dia 31 de março na Netflix e é já um dos maiores sucessos do serviço de streaming. Baseada no romance homónimo de Jay Asher, a série leva-nos a acompanhar a história de Hannah Baker (Katherine Langford) através de cassetes que deixou após se ter suicidado.

Com Selena Gomez como produtora, a série começou a gerar burburinho mesmo antes de ser lançada. Porém, já conseguiu ganhar o seu próprio espaço e é presença recorrente nos ecrãs de computador que aparecem nas Instagram Stories. Se ainda não tiveste tempo para ver, ou precisas de motivos extra para dares uma oportunidade à série, o Espalha-Factos preparou-te uma lista com alguns deles:

1. Exemplo de uma boa adaptação literária

As adaptações têm marcado a tendência em Hollywood nos últimos anos. Em 2017 muitas são as novas séries que originam de livros ou de filmes, mas até agora poucas parecem tê-lo feito com tanto sucesso como 13 Reasons Why.

A série consegue dar mais densidade às personagens e à própria história do que o livro, fazendo com que a adaptação mantenha a essência do original, dando-lhe as nuances necessárias.

Por exemplo, no livro tudo se passa durante uma só noite e é baseado só no passado. Isto faz com que todas as personagens  para além de Hannah não tenham espaço para crescer, algo que na série acontece de forma brilhante.

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2. Banda sonora incrível

13 Reasons Why é especialista em emocionar os seus espectadores, não só através dos diálogos, mas através dos momentos de silêncio que são preenchidos por uma banda sonora divinal. Ao longo de 13 episódios somos presenteados com artistas tão distintos como The Cure, Chromatics e Selena Gomez.

A música escolhida para ser “a” música de Hannah e ClayThe Night We Met, de Lord Huron é perfeita para ilustrar a relação dos dois. Fala de um amor que já passou, e de uma vontade de voltar ao passado, algo que Clay expressa ao longo da série.

No fundo, “I don’t know what I’m supposed to do / Haunted by the ghost of you / Take me back to the night we met” podia perfeitamente fazer parte dos diálogos de Clay. Curiosamente muitas das músicas foram escolhidas pelo ator que lhe dá vida, Dylan Minnette.

A banda sonora conta ainda com uma versão acústica de Kill Em With Kindness, que é tudo aquilo que não sabíamos necessitar até a escutarmos pela primeira vez. Podes encontrá-la no Spotify:

 

3. Temática pouco abordada

A verdade é que o suicídio parece ser ainda um tema tabu em 2017. Se a suicídio juntarmos a palavra “juvenil”, e na causa pusermos “bullying” então é algo definitivamente raro na esfera mediática. É claro que temos sempre Romeu e Julieta, mas novas narrativas que tragam o tema para o século XXI são necessárias e certamente refrescantes.

13 Reasons Why consegue falar do suicídio de forma franca, e levar a uma reflexão sobre o poder das pequenas coisas na vida daqueles que nos rodeiam, alcançando assim um público bem mais amplo que o adolescente.

4. Novas caras do mundo da representação

Selena Gomez foi dada como quase certa para o papel de Hannah Baker. Concordo com ela, ao dizer que foi mais acertado ficar apenas na cadeira de produtora. O facto de praticamente todo o elenco não ter tido ainda nenhum papel verdadeiramente marcante nas suas jovens carreiras, faz com que seja mais fácil a identificação com os personagens que interpretam e com as emoções que transmitem.

Pode parecer um pormenor, mas acho que se 13 Reasons Why estivesse cheia de caras conhecidas, o impacto da série seria menor. Devido à qualidade do elenco, ver a série é quase como ver adolescentes reais a lutarem contra problemas que são mesmo seus, o que traz à série a crueza que a temática pede.

5. Equipa de luxo por detrás das câmaras

Se os atores na sua maioria não tão conhecidos, do outro lado há nomes de peso. 13 Reasons Why começou por ser conhecida como “a série de Selena Gomez”, mas a verdade é que a cantora contou com uma equipa de luxo.

A adaptação do livro ficou a cargo de Brian Yorkey, que já ganhou um Pulitzer e um Tony. Como se tal não bastasse para garantir um bom resultado, na cadeira de realizador sentou-se, entre outros, Tom McCarthy. O mesmo realizador de Spotlight.

Também Gregg Araki realizou dois dos episódios da série. Com títulos como Mysterious Skin e The Doom Generations, Araki tem dedicado parte da sua carreira aos problemas dos adolescentes, algo que ajuda a que o resultado seja tão bom e tão tocante.

6. Quebra personagens-tipo

Nas séries e filmes passados durante o secundário há sempre os populares, os desportistas, os nerds, os que passam despercebidos, os bons e os maus. Esta classificação muitas das vezes binária torna as personagens previsíveis, e meras réplicas de um molde que já está bastante gasto.

Em 13 Reasons Why temos a oportunidade de ver a maior parte dos estereótipos misturados, o que traz à série um caráter mais realista e torna as personagens mais interessantes. Ao longo das cassetes de Hannah, e das reações de quem as recebe, vemos que aqueles adolescentes não encaixam nos cânones de Hollywood para este género de séries, e que têm sempre mais um bocadinho de si para dar dar ao espectador.

Esta evolução constante agarra-nos à série de tal forma que ver mais um episódio torna-se numa necessidade premente.

7. Nova roupagem aos problemas LGBT

É bastante positivo o facto de a comunidade LGBT estar cada vez mais representada nas séries. Porém, é também verdade que os problemas pelos quais estas pessoas passam ainda não foram retratados na sua totalidade.

Em 13 Reasons Why, mais do que abordar as dificuldades dos adolescentes em assumirem a sua sexualidade, vemos uma das personagens numa luta interior para o fazer devido a ter dois pais homossexuais. É dito que estes já lutaram tanto para terem os seus direitos reconhecidos, que agora que tudo está mais pacífico, a homossexualidade dos seus filhos seria só mais um problema para quem já passou por tanto.

Mesmo com o direito ao matrimónio e à adoção reconhecidos, achei importante falar-se deste tema numa série que tem o objetivo de deixar uma vontade de mudança positiva em quem a vê, para nos mostrar o caminho que ainda há que fazer para terminar com a discriminação.

8. Mostra que o sexismo na adolescência é uma realidade

A diferença de trato entre raparigas e rapazes no que toca às expectativas sociais é um problema social que 13 Reasons Why não tem medo de enfrentar. Mais até do que mostrar a não tão velha história de as raparigas serem julgadas pela forma como exploram a sua sexualidade durante a adolescência, a série vai mais fundo.

Somos confrontados com atos considerados típicos dos adolescentes que mostram de facto o que está errado nos dias que correm. Todas as personagens femininas da série têm de lidar com este problema. Têm de ser certinhas, mas não demasiado. Têm de ser perfeitas, mas não aborrecidas. Têm de lidar com todos os avanços dos rapazes com um grande à vontade, mas não à vontade.

Estas pressões sociais a que estão sujeitas, e que não vemos do lado das personagens masculinas, são o catalisador de muitos dos problemas que acontecem na série. Não só Hannah, como JessicaCourtney Sheri passam por estes problemas de formas bastante distintas, o que só acrescenta valor à série.

9. A forma como falam da relação com a tecnologia

A tecnologia é má, mas tem coisas boas“. “Os adolescentes são obcecados com as redes sociais e isso muda a forma como se relacionam“. “Antigamente é que era bom“. Invariavelmente, alguma destas frases surge sempre que se fala da relação dos jovens com a tecnologia. 13 Reasons Why joga com isto de forma bastante inteligente.

Numa altura em que toda a tecnologia parece demasiado volátil, só é possível chegar mais perto da representação da realidade ao utilizar coisas consideradas obsoletas nos tempos que correm. É por isso que Hannah decide gravar a sua mensagem em antigas cassetes e não através de um mero ficheiro .mp3, e que Tyler prefere revelar as suas fotos através dos negativos das mesmas em vez de as imprimir.

10. Flashbacks inteligentemente colocados

Tal como dissemos em cima, ao contrário do livro, a história de 13 Reasons Why passa-se em dois tempos: o passado relatado nas cassetes de Hannah, e o impacto que essas mesmas cassetes provocam na vida de quem as ouve.

Esta forma de contar a história ajuda a que não vejamos todos os acontecimentos só a partir do ponto de vista de Hannah, e que as percepções que temos das restantes personagens não sejam apenas reproduções daquilo que Hannah pensava sobre estas.

Numa altura em que flashbacks estão na moda, não há nada melhor do que ver esta técnica a ser usada tão bem. Fortalece a história e aguça ainda mais o apetite para ver o que se segue.

11. Exposição da fragilidade humana

Para além dos problemas dos adolescentes que compõem o elenco principal, também os adultos da série lidam com os seus próprios demónios interiores. Também eles sofrem, também eles perdem as estribeiras, também eles sentem.

Ainda que de uma forma mais subtil do que aquela que se poderia esperar, tanto como pais ou como educadores, os adultos de 13 Reasons Why também se sentem frágeis e sem saída. Isto para além de ajudar a diminuir as diferenças entre gerações, torna tudo ainda mais real, e leva-nos ao motivo 12.

12. Não é uma série só para adolescentes

Muito por causa daquilo que apontámos, mas também pela mensagem que transmite, 13 Reasons Why não é só uma série para alunos do ensino secundário. A série ajuda-nos a repensar as nossas próprias atitudes e isso vai para além do bullying, que infelizmente se tornou algo comum na adolescência.

Tendo o suicídio no extremo daquilo que pode acontecer quando alguém é maltratado e se sente sozinho, a série passa a mensagem de que todos os pequenos detalhes são importantes e de que estar alerta para os problemas dos que nos rodeiam é importante.

Ser boa pessoa não tem idade para ter prazo de validade, nem uma boa série, como 13 Reasons Why, o tem.

13. Mostra que cada um tem a sua verdade

Ao mostrar o presente das personagens, e não só aquilo que as cassetes de Hannah dizem, a série dá-nos a oportunidade de conhecer melhor aqueles que a rodeavam. Através deste conhecimento, somos levados em histórias paralelas que chegam a conseguir prender mais a atenção do que a trama central da série.

Conhecendo não só o que levou Hannah a tomar a decisão de acabar com a sua vida, conhecemos também as circunstâncias em que as restantes personagens vivem. Sem querer fazer spoil de nada, há personagens em que termos este conhecimento nos leva a odiá-las menos e até a criar alguma empatia com elas.

Isto reforça ainda mais a mensagem da série de que é necessário estar atento a quem nos rodeia, pois os seus problemas podem ser bem maiores do que aquilo que aparentam e nós podemos não estar a ajudar.