França assiste a uma das mais renhidas campanhas eleitorais das últimas décadas e, daqui a oito dias, vai ter a primeira volta das Eleições Presidenciais. Para tentar minimizar o impacto das fake news no resultado final, o Facebook já fechou 30 000 contas falsas.

Numa comunicação em que detalha os vários mecanismos utilizados pela empresa para limitar as “falsas interações” na rede social, anuncia a vaga de eliminações como mais um elemento da campanha que tem feito para tentar sensibilizar o público para a problemática das notícias falsas.

“Percebemos que muitas das falsas notícias são motivadas financeiramente, e como parte do nosso trabalho na promoção de uma sociedade informada, focámo-nos em tornar muito difícil para pessoas desonestas explorar a nossa plataforma, ou beneficiar financeiramente da divulgação de sites de notícias falsas através do Facebook”, explica Shabnam Shaik, gestor da equipa de segurança da plataforma.

Eleições norte-americanas lançaram o alerta

Desde as eleições nos EUA, em novembro passado, que o Facebook tem estado no centro das atenções no que diz respeito à temática das notícias falsas. A rede social de Mark Zuckerberg foi acusada de ter facilitado a disseminação de informação falsa ou equívoca.

A empresa tem, desde aí, tentado demonstrar de forma pública o seu interesse na resolução do problema. O enfoque está agora na Europa, com vários atos eleitorais a decorrer durante este ano. Em fevereiro, Google e Facebook anunciaram uma parceria com os meios de comunicação franceses para identificar e combater as fake news.

Depois de ter lançado anúncios em vários jornais franceses, com o intuito de informar e sensibilizar os leitores para o fenómeno da informação falsa, esta semana o Facebook iniciou a divulgação, nos feeds dos utilizadores, de várias indicações para facilitar a identificação deste tipo de conteúdo.

No fim de janeiro, o site Buzzfeed divulgou a existência de um alegado “exército de trolls”, organizado por apoiantes de Marine Le Pen para vencer as eleições. As sondagens deste sábado revelam uma corrida apertada na primeira volta do sufrágio. A candidata da extrema-direita deverá disputar o primeiro lugar com Macron, o seu adversário mais provável na segunda volta.

No entanto, os candidatos Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, e François Fillon, d’Os Republicanos, surgem a poucos pontos de distância.

De acordo com o site Venture Beat, uma corrida mais renhida e com tantos candidatos poderá ser mais suscetível de ser influenciada por fake news. No entanto, o tamanho do mercado francês – mais pequeno que o norte-americano – poderá não representar um incentivo financeiro significativo para aqueles que lucram com a disseminação destas informações.