A peça Um D. João Português, o novo projeto do encenador e ator Luís Miguel Cintra, estreia dia 29 de abril, no Montijo. Esta adaptação surge da tragicomédia Dom Juan, ou le Festin de Pierre de Molière.

Três meses depois de o Teatro da Cornucópia ter fechado portas, o encenador encontrou nesta peça a forma de ultrapassar o fecho da companhia que ajudou a fundar. Em Um D. João português, Luís Miguel Cintra reúne 16 atores e população local de quatro cidades para uma peça «imperfeita, inacabada, bastarda, hesitante e incerta», conforme afirmou na reflexão sobre a obra.

Foto: cartaz alusivo à primeira parte da peça

Esta é uma peça dividida em quatro partes e cada uma deles será levada a palco no Montijo, em Viseu, em Guimarães e, em princípio, em Setúbal. Será apresentada na totalidade, no próximo ano, no polo cultural da Junta de Freguesia do Afonsoeiro, no Montijo.

A peça, a obra e o processo criativo

Um D. João português parte de uma tradução portuguesa anónima, divulgada pelo teatro de cordel setecentista, da obra-prima de Molière. Na versão do século XVII, D. João engana todas as mulheres com quem se vai casando, acabando por ter de viver em fuga, juntamente com o seu criado Esganarelo, devido à má fama que vai adquirindo.

Para Luís Miguel Cintra, é pertinente revisitar esta história porque põe «em questão a responsabilidade moral e ética dos comportamentos sociais», fazendo um julgamento moral. Na sua versão, o encenador faz surgir D. João e Esganarelo como marginais da sociedade, sempre em fuga.

O espetáculo será construído ao longo de 2017, nas quatro cidades, tendo como objetivo partilhar todo o processo com grupos de espectadores locais, que terão a oportunidade de subir ao palco. No dia 1 de abril foi já lido o primeiro bloco de trabalho, intitulado Na estrada (da vida), junto dos espectadores interessados do Montijo.

Em cada uma das cidades, formar-se-á uma residência artística de duas semanas, onde Luís Miguel Cintra trabalhará com o elenco fixo e com o elenco local, criando-se assim um projeto no qual o espectador está envolvido, participando nas diferentes fases de preparação de um espetáculo.

O elenco

Dezasseis dos atores que trabalharam no Teatro da Cornucópia compõem o elenco fixo desta reencenação, que contará ainda com representações de pessoas das quatro cidades onde a peça será representada parcialmente.

No Montijo, a peça conta ainda com a representação de Levi Martins e Maria Mascarenhas, da Companhia Mascarenhas-Martins. Esta companhia coproduz a peça com o Teatro Viriato, em Viseu.

Onde podes ver

A peça começa por estar em cena no polo cultural da Junta de Freguesia do Afonsoeiro, no Montijo, no dia 29 deste mês. A entrada é gratuita, mas com lotação limitada. Mais informações aqui.

Depois, Um D. João português segue viagem para o Teatro Viriato, em Viseu, onde será apresentada a terceira parte da obra, As árvores (dos desgostos), dia 28 de julho. Mais informações aqui.

Fará ainda uma paragem em Guimarães, ainda sem data marcada, e, em janeiro de 2018, voltará ao Montijo para ser apresentada a obra completa.