O mundo como o conhecemos pode estar a chegar a um fim, mas nem tudo é tão mau como parece. A Piql, uma pequena empresa tecnológica norueguesa, construiu o Arctic World Archive: um repositório de dados situado numa antiga mina da ilha Svalbard, na Noruega, 300 metros debaixo do solo. Pelo menos os dados conseguirão sobreviver a um inevitável apocalipse.

Talvez já tenhas ouvido falar do Global Seed Vault, uma espécie de arca que contém cerca de um milhão e meio de sementes, de diferentes espécies, com o objetivo de preservar a sua diversidade no caso de um desastre de grande escala. Situado na mesma montanha e mina, o Arctic World Archive tem um objetivo semelhante mas, em vez de sementes, este protege dados.

entrada do arctic world archive: o repositório de dados

Piql, empresa responsável pelo Arctic World Archive e cujo nome é, de maneira engraçada, uma referência a um pickle e a sua preservação em vinagre, afirma que os dados, depois de guardados no cofre, irão ser mantidos em segurança durante pelo menos 500 anos, podendo mesmo chegar aos 1000. A mina em que o cofre está situado é, afirma a empresa, perfeita para um projeto assim: subterrânea, com temperaturas negativas e seca

Filme analógico: o passado é o futuro

Os dados são enviados para a empresa, onde são processados e convertidos para um formato de filme analógico fotossensível. Acredita-se que, apesar de revolução digital, o formato analógico é o mais “resistente” ao futuro, pelo que não requer comportamentos como atualizações de sistema. É algo mais básico.

piql: dados em filme analógico

Os dados, depois de guardados, são impossíveis de alterar, garante a Piql; no entanto, podem ser visualizados a pedido da entidade proprietária dos mesmos. Este processo não é instantâneo: por segurança, o repositório não está ligado à internet, de forma a prevenir uma situação de hacking. Primeiro, os dados são recolhidos e depois transformados para serem enviados por fibra ótica.

A localização do Arctic World Archive oferece ainda outras vantagens: além de se encontrar numa ilha remota, é uma zona desmilitarizada, por via de um tratado internacional assinado por 42 países depois da segunda guerra mundial, havendo assim a segurança de que o cofre não pode ser manipulado ou atacado.

Disponível desde 27 de março deste ano, os governos do Brasil, México e Noruega foram os primeiros clientes da “biblioteca do apocalipse”.