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Três filmes portugueses marcam presença no festival francês Cinéma du Réel

A 39ª edição do Cinéma du Réel, o prestigiado festival de documentários que decorre anualmente em Paris, conta com a presença de três filmes portugueses na sua programação. Os realizadores Susana de Sousa Dias, Ico Costa e João Botelho vão apresentar os seus filmes Luz Obscura, NyoVweta Nafta e O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu e discuti-los com o público ao longo de várias sessões que decorrerão entre os dias 24 de março e 2 de abril.

Esta não é a primeira vez que Susana de Sousa Dias anda por estas paragens, tendo há sete anos sido galardoada com o prémio Grand Prix – o mais cobiçado deste festival – pelo filme 48, e depois de ter visto a sua carreira homenageada em 2012.

O grande foco da sua obra tem sido o Estado Novo, abordado com um estilo peculiarmente distanciado e reflexivo em 48 e Natureza Morta. Luz Obscura não foge à regra e introduz-nos aos filhos dos presos políticos vitimados pelo governo de Salazar, expondo a forma como as ondas de choque de um regime autoritário e opressivo se intrometem na esfera íntima e familiar.

O filme será projectado nos dias 29, 30 e 31 de Março e integrará a competição internacional do festival, que conta com mais de dez filmes em concurso e com Tina Baz Legal, montadora francesa-libanesa, Anne Georget, realizadora francesa, e Luciano Monteagudo, realizador argentino, no painel dos jurados.

Também na competição internacional mas, neste caso, de curta-metragens, estará NyoVweta Nafta, a quinta curta de Ico Costa, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, na Holanda. Rodado em Super 16, o filme desenrola-se em Inhambane e Maputo, Moçambique, onde o cineasta viveu em 2010. O ponto de partida foi a sua própria vivência e a relação que desenvolveu com a população local. “Caminhei pela cidade, pelos campos, pelas praias. Ouvi conversas nas ruas, conheci pessoas, acompanhei miúdos nas suas deambulações diárias. Toda a gente falava de miúdas e do desejo de um dia ‘bazarem dali para fora’, ganhar uns trocos em biscates e ir para a África do Sul para enriquecer. O filme foi-se construindo de pequenos episódios entre várias personagens que não são mais do que elas próprias”, explica Costa.

NyoVweta Nafta será exibido nos dias 26, 28 e 29 de Março e vai ser avaliado pelo júri da competição, composto por Safia Benhaïm, realizadora e fotógrafa francesa, Kumjana Novakova, realizadora, produtora e programadora bósnia, e Marta Ponsa, encarregue dos projectos artísticos e actividades culturais da Galeria Jeu de Paume.

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, que será exibido nos dias 31 de março e 1 de abril, no âmbito da secção não competitiva das Sessões Especiais, é um documentário de João Botelho que serve de homenagem ao falecido realizador português, bem como às particularidades da sua obra e do seu talento. O filme está há quase um ano na estrada, tendo estreado na edição de 2016 do Indie Lisboa, e feito breves paragens em Locarno, Viennale e São Paulo, entre outros.

Relembramos que o Cinéma du Réel foi fundado em 1978 por Jean-Michel Arnold e pelo realizador Jean Rouch. O festival decorre no Pompidou Centre e exibe mais de 200 filmes por ano.

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