A ousadia de Frida Kahlo na coleção de Nuno Baltazar

A música transporta-nos para o México, de onde é originária Frida Kahlo, a pintora que serviu de inspiração para a coleção de Nuno Baltazar. Esta é já a número 26, sem estação definida, mas pronta para ser vendida daqui a duas semanas, uma vez que o designer aderiu ao sistema See Now, Buy Now. Cartazes levados por Raquel Strada, Jessica Athayde e Luís Filipe Borges comprovam isto mesmo.

Os ambientes fantasiosos e coloridos de Frida refletem-se nas propostas do designer. A paleta cromática inclui diferentes tonalidades de verdes e rosas, cobaltos, terracota e sanguínea. Cores vivas que espelham a personalidade da pintora mexicana. A estas juntam-se coordenados em marfim, preto, branco, nude e marinho.

Folhos surgem em blusas e vestidos, assim como as transparências. As silhuetas são, tal como Frida, exuberantes, e há um destaque para as mangas que ganham tridimensionalidade com pregas nos ombros. As calças e corsários são largos e os vestidos direitos. É uma coleção elegante e sofisticada, mas também casual, com apontamentos sporty.

As coroas de flores que as modelos levam na cabeça e a maquilhagem remetem de imediato para a imagética da pintora mexicana, mesmo sem terem uma monocelha. Quanto ao calçado, esse resultou de duas colaborações. No caso dos sapatos para mulher, com a Perlato, e nos para homem, com a LE.MO.KE.

Esta é a segunda vez que Nuno Baltazar apresenta também uma linha para homem. No entanto, “as propostas femininas e masculinas coabitam numa bissexualidade deixada à exploração dos clientes da marca em que peças pensadas para homem podem ser usadas em mulheres e o contrário.”

O desfile, que tinha o presidente da república na primeira fila, termina com dois modelos a andar lado a lado, com camisolas onde se pode ler uma expressão controversa de Frida Kahlo: “I was born a bitch, I was born a painter.” Estas são conjugadas com calças pretas largas e um kimono da mesma cor, tanto no modelo masculino como feminino.

Fotografia: Portugal Fashion