Eurovisão

Nem por satélite: Proposta da Eurovisão rejeitada por Ucrânia… e Rússia

Não tem fim à vista a novela em torno da participação russa no Festival Eurovisão da Canção deste ano. A União Europeia de Radiodifusão (UER) propôs hoje que a Rússia participasse no Festival via satélite, contornando a proibição de entrada da intérprete Julia Samoylova em território ucraniano, e a resposta das autoridades daquele país não se faz esperar.

Vyacheslav Kirilenko, vice-primeiro-ministro da Ucrânia, usou a sua conta pessoal no Twitter para rejeitar publicamente a proposta inédita da UER. De acordo com Kirilenko, a transmissão via satélite da atuação de Julia Samoylova a partir da Rússia constituiria igualmente uma violação da lei ucraniana.

Recorde-se que a fundamentação para a sanção aplicada à cantora é o facto de Samoylova ter atuado num concerto na Crimeia em 2015, após a anexação pela Federação Russa em 2014, sem ter requerido visto às autoridades ucranianas, que continuam a reclamar aquele território.

“Transmitir a atuação de Julia Samoylova na televisão da Ucrânia é a mesma violação da lei que a sua entrada no território. A UER deve ter em consideração a legislação do país”, disse o responsável político, citado pelo site ESCKAZ.com. O ministro ucraniano sugeriu novamente que a resolução do problema terá de passar pela substituição de Samoylova por outro artista que não seja persona non grata na Ucrânia.

Eurovisão
O impasse em torno da participação de Julia Samoylova no Eurofestival mantém-se.

Rússia rejeita proposta “estranha”, e quer Julia em Kiev

Já depois da reacção ucraniana à tentativa de solução proposta pela UER, foi a vez do Channel One recusar a ideia da participação à distância. Num comunicado difundido hoje e citado pelo site ESCKAZ.com, a televisão pública russa diz ter actuado “em conformidade com as regras da Eurovisão” na escolha da representante do país, e acrescenta que “de acordo com as regras, o país organizador deve garantir a todos os participantes a possibilidade de conseguir um visto de entrada para toda a duração do evento”.

Assim, no entender da delegação russa, a interdição imposta a Julia Samoylova viola as regras do certame, e “a UER não devia não devia inventar novas regras para a participante russa em 2017“, mas sim “organizar uma competição de acordo com as suas próprias regras já existentes“.

Consideramos a proposta da participação remota estranha e rejeitamo-la por, obviamente, contradizer o verdadeiro significado do evento“, acrescentou o Channel One, exigindo que Julia Samoylova seja autorizada a actuar ao vivo em Kiev.

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