Prémios Sophia: Cartas da Guerra é o Grande Vencedor

Apresentada novamente por Ana Bola, a 5º Gala dos Prémios Sophia começou atrasada e com uma audiência encharcada, após uma queda repentina de chuva na passadeira vermelha. Como era de se prever, a cerimónia iniciou-se com um monólogo bem disposto que remeteu para os Oscars. Ana Bola, em tom jocoso, referiu que já não tinha tempo para criticar Trump e fez-se acompanhar por dois guarda-costas que traziam uma pasta com os envelopes, para evitar confusões como a “vitória” de La La Land.

 

Uma vitória estrondosa

Apesar de Cinzento e Negro liderar as nomeações, venceu apenas nas categorias de Melhor Argumento Original, Melhor Ator Principal e Melhor Banda Sonora Original.

O grande vencedor da noite acabou por ser Cartas da Guerra. A longa-metragem de Ivo M. Ferreira além de vencer na categoria de Melhor Filme, levou o Sophia de Melhor Argumento Adaptado, Melhor Realizador, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção Artística, Melhor Maquilhagem e Cabelos, Melhor Som, Melhor Guarda Roupa e Melhor Montagem. No total, venceu 9 das 10 categorias para as quais estava nomeado.

A Balada de um Batráquio voltou a ser premiada, desta vez com o Sophia de Melhor Documentário em Curta Metragem. Leonor Teles deixou uma mensagem de apoio ao cinema português que, segundo a jovem realizadora, “está a passar por uma fase muito complicada”, acrescentando que era necessária união para que continuassem a filmar. Terminou com um apelo à valorização das curtas metragens que, por vezes, são vistas como um “passo para a longa-metragem”, mas têm sido representantes de excelência do cinema português em festivais estrangeiros como o de Berlim.

Aquando da entrega do Prémio Mérito e Excelência, o auditório do Centro de Cultural de Belém aplaudiu de pé Ruy de Carvalho. Visivelmente emocionado, o ator agradeceu ao público e valorizou o cinema português, a língua portuguesa e os portugueses: “Tenho uma grande honra por pertencer a Portugal. Tenho uma grande honra em ser português. E gostava que pudéssemos impor a nossa qualidade e trabalho ao mundo, somos bons e merecemos caminhar em frente. Viva o cinema português, viva a arte portuguesa, viva os portugueses.”

A polémica instalou-se quando Luís Filipe Rocha, ao receber o prémio de Melhor Argumento Original por Cinzento e Negro criticou o sistema de concessão de financiamento público do ICA. Um discurso contestado pelo produtor Luís Urbano, ao agradecer o Sophia de Melhor Filme, momento que aproveitou para defender o formato atual do concurso público baseado em júris nomeados pela direção.

A ausência de vários vencedores fez-se sentir durante a cerimónia, sendo substituídos por representantes, durante os agradecimentos. Foi o caso de Ivo M. Ferreira que se encontra em rodagens do seu próximo filme Hotel Império, em Macau.

Conhece todos os vencedores:

Melhor Filme: Cartas da Guerra
Melhor Ator Principal: Miguel Borges em Cinzento e Negro
Melhor Atriz Principal: Ana Padrão em Jogo de Damas
Melhor Ator Secundário: Adriano Carvalho, A Mãe é que Sabe
Melhor Atriz Secundária: Manuela Maria, A Mãe é que Sabe
Melhor Argumento Original: Luís Filipe Rocha, Cinzento e Negro
Melhor Argumento Adaptado: Ivo M. Ferreira e Edgar Medina, Cartas da Guerra
Melhor Realizador: Ivo M. Ferreira, Cartas da Guerra
Melhor Direção de Fotografia: João Ribeiro, Cartas da Guerra
Melhor Direção Artística: Nuno G. Mello, Cartas da Guerra
Melhor Maquilhagem e Cabelos: Nuno Esteves “Blue” e Nuno Mendes, Cartas da Guerra
Melhor Som: Ricardo Leal e Tiago Matos, Cartas da Guerra
Melhor Guarda Roupa: Lucha D’Orey, Cartas da Guerra
Melhor Montagem: Sandro Aguilar, Cartas da Guerra
Melhor Banda Sonora Original: Mário Laginha, Cinzento e Negro
Melhor Canção Original: Sob o Calor, de Sérgio Godinho e Filipe Raposo, Refrigerantes e Canções de Amor
Melhor Documentário em Longa-Metragem: Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra, de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo
Prémio Sophia Estudante: A Instalação do Medo, de Ricardo Leite
Melhor Curta Metragem de Ficção: Menina, de Simão Cayatte
Melhor Curta Metragem de Animação: Estilhaços, de José Miguel Ribeiro
Melhor Documentário em Curta Metragem: Balada de um Batráquio, de Leonor Teles
Prémio Mérito e Excelência: Ruy de Carvalho

Fotografia: Patrícia Nunes