Das assimetrias de Pedro Pedro à viagem colonial de Alexandra Moura

A 40.ª edição do Portugal Fashion arrancou esta quarta-feira na Cordoaria Nacional, em Lisboa, e segue para o Porto onde decorre até dia 25 de março. Pedro Pedro marcou o início dos desfiles com uma coleção para o próximo outono-inverno onde as formas são desconstruídas e onde os pequenos pormenores fizeram a grande diferença.

Pedro Pedro fala-nos da “incerteza dos tempos”, uma expressão que transpõe metaforicamente para a coleção através das galochas e das parkas, próprios do mar, da chuva, das tempestades e da tal dubiedade do que se vive.

Pedro Pedro

O designer apresenta-nos coordenados onde as formas deixam de ser tradicionais, há sobreposições e cortes assimétricos. Há uma utilização clara de materiais mais técnicos e impermeáveis, com muita borracha à mistura.

Uma paleta de cores que variava do preto ao vermelho, passando pelo azul klein, camel e branco.

Aos ombros as mochilas eram casacos e kispos transformados para o efeito, uma tendência vista já nalgumas passerelles lá fora e que confere um apontamento de streetwear mais acentuado.

…. fui até Timor, já fui um conquistador

Alexandra Moura não deixa nunca de lado a História e em todas as coleções há um apontamento do que se fez no passado e que é transposto para o presente num legado metafórico e moderno.

Alexandra Moura

Cá e Lá é a coleção que viajou até Timor-Leste e trouxe um diálogo cultural já antigo da relação com Portugal para os dias de hoje. A inspiração na cultura distante, mas ao mesmo tempo tão próxima da portuguesa – e com influências mútuas – leva à passerelle uma figura cosmopolita, mas com um rasgo de ancestralidade.

Muitos nós, laços e laçadas em vestidos, blusas e casacos. A designer deu a conhecer uma silhueta elegante e cheia de personalidade, quer através dos padrões bordados, quer através das sobreposições de peças e da ligação entre as mesmas, numa paleta de cores a tender para os castanhos e cores terra.

 

Fotografia: Bruno Fragata