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Requalificação do Jardim de Malta devolve-lhe o traço setecentista

O Jardim de Malta, situado no Palácio Nacional de Queluz, entrou num processo de reconstrução levado a cabo pela Parques de Sintra que visa requalificar a área, devolvendo a esta o seu traçado original: o setecentista.

A situação atual carateriza-se por uma degradação da estrutura verde, portanto, após uma análise histórica sobre a evolução do jardim, procedeu-se à realização de um estudo fitossanitário, realizado pelo Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Este estudo revelou a existência de pragas e doenças nas plantas, como o míldio do buxo, um fungo que tem dizimado os jardins de buxo por toda a europa e que obriga à substituição destes por outras espécies com efeito semelhante.

O diagnóstico levou à intervenção da Parques de Sintra, que transplantará o buxo jovem para recuperação noutras zonas dos Jardins de Queluz, enquanto os exemplares antigos serão transplantados para o bosquete onde poderão crescer naturalmente. Para além disto, prevê-se o restauro da estrutura decorativa – como estátuas, lago central, degraus – e uma escavação arqueológica do local.

Planta Setecentista do Jardim de Malta

As várias recuperações ao longo dos séculos

O Palácio de Queluz, mandado construir em 1747 pelo futuro rei de Portugal D.Pedro III, foi concebido como residência de verão, tornando-se espaço de lazer para a família real.  Foi habitado em permanência de 1794 até 1807, ano de fuga da corte portuguesa para o Brasil, aquando das invasões francesas.

A consequência da ocupação napoleónica e, posteriormente, da guerra civil, foi a degradação e abandono das propriedades reais. O Jardim de Malta foi um dos afectados, sendo que só no final do século XIX, no reinado de D.Carlos, se procede às obras de conservação que convertem o jardim ao gosto da época: o romantismo.

No século seguinte sucedem-se várias intervenções. A primeira em 1918, com a introdução de quatro estátuas provenientes do Mosteiro de São Vicente de Fora; e outra em 1938/39, com a remoção dos quatros lagos angulares ali existentes e plantação de murtas e azereiros, que com o crescimento natural conduziram à perda do forma original do jardim.

Um jardim “Aberto para Obras”

Apesar de se encontrar em processo de requalificação, a Parques de Sintra mantém o lema “Aberto para Obras”, permitindo aos visitantes conhecerem a história do local, através de um conjunto de painéis gráficos.

Para além de darem a conhecer o passado, estes mostram também o resultado futuro, após a concretização do projecto. Ao percorrer os painéis, o público encontrará várias janelas, das quais poderão observar a evolução da obra.

A conclusão do plano está projectada para dezembro do presente ano.

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