O conceito See Now, Buy Now (ou “ver agora, comprar agora”) chegou às luzes da ribalta  no ano passado, tendo a Burberry sido a maior impulsionadora do movimento. Depois desta seguiram-se Tommy Hilfiger, Ralph Lauren e claro, Tom Ford. A marca do designer norte-americano foi uma entre tantas outras a aderir a esta estratégia e a disponibilizar as peças aos clientes logo após a sua apresentação. Isto leva ao fim da espera habitual de seis meses entre os desfiles e a chegada das peças a loja.

Foi em setembro que a marca desenvolvida por Thomas Carlyle apresentou a sua primeira (e última) investida no conceito “ver agora, comprar agora”.  Este método tem como objectivo principal acabar com o tempo de espera, que existe no calendário normal, entre os desfiles de apresentação das coleções por partes das marcas e a comercialização e disponibilidade de produtos em loja. No entanto, esta acabou por não ser a melhor decisão para Tom Ford.

Mercadorias em stock e um mês de venda perdido

O facto de a coleção outono-inverno 2016 ter ficado em espera antes de ser lançada em loja acabou por ser fatal: por um lado, foi perdido um mês de vendas e por outro a atenção e consequente publicidade que era feita por parte da imprensa começou a decrescer. Ao juntarmos estes dois factores teremos uma equação que é tudo menos benéfica para promover a marca e atrair clientes.

“Nas primeiras três semanas de setembro o negócio cresceu”, afirmou Tom Ford. Mas a verdade é que o frenesim inicial acabou por não compensar a mudança.

Alguns dos modelos pertencentes à coleção outono-inverno 16/17 de Tom Ford

Um outro fator negativo apontado pelo próprio designer era a frustração que sentia pelo facto de, no caso da coleção outono-inverno, ter de manter as roupas em total segredo até ao mês de setembro.

O designer considera, no entanto, que o sistema See Now, Buy Now é o conceito de moda do futuro. Mas por enquanto este não funciona por um simples motivo: a industria não está pronta de raiz para o seu sucesso. “O horário de entrada de peças em lojas não se encontra em alinhamento com o programa de desfiles de moda. Não podemos ter um show com roupas que ficam expostas para venda durante um mês”, explicou.

Apesar disto, este método parece funcionar para alguns. No caso da Moschino, Jeremy Scott vendeu com sucesso uma parcela da sua coleção desde o momento de apresentação da mesma.

Tom Ford: De Londres para Nova York

Tom ford apresentou a coleção para a primavera-verão 2017 diretamente ao público e aos clientes ainda segundo os ideais de See Now, Buy Now, aproveitando o momento para anunciar que esta seria a sua ultima coleção a seguir esses padrões.

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O designer americano afirmou ainda que vai estar de volta para a semana da moda de Nova Iorque onde irá apresentar as suas propostas para a primavera-verão 2018. Desde 2013, Ford tem sido um dos protagonistas da semana da Moda de Londres e mostra agora vontade de mudar. “Londres: eu tentei e tentei e tentei”, revelou o designer, passando a ideia de que a capital inglesa simplesmente não funciona para ele e não recebe o destaque internacional de capitais como Paris, Milão e Nova Iorque.

E foi isso que o levou a procurar um espaço permanente no calendário da New York Fashion Week. “Eu gosto de ir primeiro, quando o público ainda está de bom humor”, concluiu.