Hoje é um dia especial: é dia do pai, e o cinema é um filho único. Único porque são vários os seus progenitores e todos eles contribuíram, de uma forma ou outra, para o seu crescimento. O Espalha-Factos apresenta-te assim cinco figuras “pai” do cinema, e como cada uma delas influenciou a sétima arte.

Os Irmãos Lumière

A inclusão de Auguste e Louis Lumière neste lista é óbvia, mas necessária. Nomes como Eadweard Muybridge, Emile Reynaud, William Kennedy Dickson e Léon Bouly estabeleceram os alicerces técnicos daquilo que hoje conhecemos como cinema, mas foram os irmãos Lumière os principais responsáveis pela difusão, popularização e sucesso que a sétima arte veio a ter.

Foram os Lumière que aperfeiçoaram o cinematógrafo e uma das primeiras exibições públicas de filmes do mundo foi organizada pelos irmãos franceses. A mesma decorreu em Paris no dia 26 de dezembro de 1895 e foi lá apresentada a conhecida Sortie des Usines Lumière a Lyon – a primeira película filmada pelos realizadores. Os irmãos foram talvez os primeiros a entender como utilizar o cinema e, apesar de rapidamente terem abandonado a indústria para prosseguir estudos noutras áreas (Louis na fotografia e Auguste na medicina), merecem o seu lugar nesta lista.

Georges Méliès

Numa das primeiras exibições dos Lumière esteve presente Georges Méliès: de imediato o ilusionista tentou comprar um dos cinematógrafos dos irmãos, mas estes recusaram. Isto não parou o francês, que em menos de um ano comprou um animatógrafo e transformou-o numa câmara de filmar.

O seu mais famoso filme é, definitivamente, Le Voyage dans la Lune (1902), mas esta é apenas uma das centenas de fitas realizadas e produzidas por Méliès, de entre as quais também se encontram L’Homme-Orchestre (1900) e Voyage a travers l’impossible (1904). Georges Méliès pode ser considerado como um dos pioneiros da noção de narrativa no cinema (ver, por exemplo, La lune à un mètre de 1898 e Cendrillon de 1899) e, como que se não bastasse, é ainda o principal responsável pela introdução de técnicas de efeitos especiais, característica transversal de quase toda a sua obra.

D.W. Griffith

 

David Wark Griffith é uma das mais importantes caras da história do cinema e é acreditado por muitos como o inventor do grande plano – não por ter inventado a técnica, mas por lhe ter atribuído o significado que esta ainda hoje tem.

Uma figura controversa em grande parte pela temática racial do seu principal filme The Birth of a Nation (1915), D.W. Griffith foi admirado por realizadores como Hitchcock, Welles e Eisenstein e foi também responsável por vários avanços de técnicas narrativas e de filmagem e da popularização da longa-metragem. Podes perceber melhor o impacto do realizador de Intolerance (1916) e Broken Blossoms (1919) ao ler 5 formas com D.W. Griffith revolucionou o cinema.

Cecil B. DeMille

 

Cecil B. DeMille, para além de ser um dos pais da sétima arte, é o pai do cinema norte-americano. Um dos primeiros realizadores de sempre a alcançar o estatuto de celebridade, DeMille é responsável por 70 longas-metragens e é o realizador com mais sucesso comercial na história do cinema: o seu mais famoso filme – o épico The Ten Commandments (1956) – é o sexto filme com maior lucro de sempre, enquanto que The King of Kings (1927) chegou a mais de 800 milhões de espectadores.

Podemos descrever Cecil B. Demille como um dos fundadores de Hollywood, um dos responsáveis pela introdução de aspectos de iluminação no cinema e, ainda, como o mestre do blockbuster.

Ernst Lubitsch

Apenas alguém cuja influência e prestigio cinematográfico seja incomensurável pode ter o seu nome associado a uma característica fílmica. É o que acontece com Ernst Lubitsch e o seu “Toque de Lubitsch”. Só quem veja o trabalho de Lubitsch pode entender o que isto significa, mas usando as palavras de Richard Christiansen: “O Toque de Lubitsch é uma breve descrição que abarca uma longa lista de virtudes: sofisticação, estilo, subtileza, inteligência, charme, elegância, suavidade, casualidade polida e uma audaz nuance sexual”.

Ainda hoje muitos realizadores se perguntam “O que faria Lubitsch?”. É aqui que reside a importância do americano de origens alemãs – mais do que o seu excelente trabalho e mais do que a sua reputação: a sua intemporalidade.