A moda das hamburguerias teima em não passar e é cada vez mais difícil ser original numa época em que já quase tudo foi feito. Sob o lema “No Bullshit Kitchen”, o Bunker promete ser inovador, despertar no paladar sensações únicas até aos comensais mais exigentes. Cheio de expetativas, o Espalha-Factos aventurou-se na Doca de Santo Amaro e conta-te tudo o que estás a salivar por saber.

Noite de terça-feira, as Docas estão pouco movimentadas. O Bunker é facilmente encontrável pelo gigante letreiro que o identifica. Ao entrarmos sentimos, quase automaticamente, uma vibe muito cool, seja pela música que se escuta quer pela decoração de muito bom gosto. A cozinha está à vista de qualquer pessoa que demonstra que aqui não há segredos, os ingredientes são de qualidade.

Todo o espaço é dedicado a motivos bélicos. Nos ecrãs, espalhados um pouco por todo o restaurante, passam imagens de guerras, em especial momentos passados nas trincheiras. Nas paredes estão pintadas caricaturas de soldados.

Somos conduzidos ao andar superior, onde temos duas opções: ficar sentados cá dentro ou na varanda com uma vista fabulosa para a Ponte 25 de Abril. O conforto dos sofás e o quentinho fizeram-nos escolher o interior.

Um dos colaboradores trouxe-nos rapidamente o Couvert composto por Foccacia quente, azeite, azeitonas marinadas e manteiga de ervas. Esta última, infelizmente, estava demasiado dura, impossível de espalhar. A grande surpresa chegou com os Croquetes de Carne fumegantes, cujo interior desfazia-se na nossa boca, contrastando com o azedo da mostarda que os acompanhava.

A oferta de bebidas é vasta, desde cocktails sem álcool, cervejas até limonadas. Para a mesa vieram a Limonada de Frutos Vermelhos e o No War. Quando chegou a hora de escolher os hambúrgueres foi claro que queríamos experimentar as estrelas da casa, os Inside Out.

Inside Out: tinha tudo para ser perfeito

Chegaram, quentinhos e com ar apetitosos, o Buona Bambina e o Bunker Buster. O primeiro conjuga o queijo provola e pancetta, tanto dentro como fora da carne açoriana. Já o segundo balanceava o picante da ventriccina com a suavidade da mozarela. Ambos levavam a iguaria americana hash brown.

A primeira tentação é cortar o hambúrguer a meio e ver a magia inside out a acontecer. Primeira desilusão, mal se notava que a carne era recheada, tanto a pancetta como a ventriccina vem como topping. Ultrapassada a tristeza inicial, chega o momento de degustar. Este não é um hambúrguer fácil de comer, vão precisar de garfo e faca.

Com a primeira garfada sentimos que falta sabor. Os ingredientes são imensos mas não estão em perfeita sintonia, são como um conjunto de notas musicais incapazes de formar uma melodia. Gostamos, sim, da maionese que acompanhava o palitos de batata frita. O travo a caril distinguiu-se dos típicos molhos de alho e ervas.

Como há sempre espaço para a sobremesa, pedimos o Brownie com gelado. Existe, igualmente, a opção sem gelado mas que desaconselhamos visto que o bolo corre o risco de se tornar enjoativo. As nozes no seu interior contrastam com a suavidade do chocolate.

O Bunker tinha tudo para ser uma hamburgueria perfeita: boa localização, espaço original e inovação q.b. Faltou-lhes um sabor mais distinto. É bom, mas não nos deixou a salivar. Talvez numa próxima.

Contactos:

Doca de Santo Amaro Alcântara, Armazém 7

Alcântara, Lisboa

21 2841458

 

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