O dia 25 de Abril, por si só já uma data inesquecível, marca também o primeiro aniversário do NewsMuseum, que irá celebrar a ocasião de uma maneira especial. O museu vai inaugurar, nessa mesma data, a exposição temporária Macho Media, que promete revisitar os episódios de maior mediatismo e os principais marcos na história da luta feminina pela emancipação e reconhecimento dos direitos fundamentais das mulheres na sociedade.

O conteúdo desta exposição chega ao público através de uma experiência multimédia interativa que cria verdadeiras narrativas para os momentos de maior impacto na história de uma luta de coragem, força de vontade, presença de espírito e poder de caráter que, a longo prazo, levou milhares de mulheres outrora oprimidas a libertarem-se progressivamente das amarras de uma sociedade desigual, quebrando barreiras, alargando horizontes e tornando-se, por fim e merecidamente, donas de si mesmas, dos seus ideais, da sua educação e da suas vidas. Não obstante a sua acentuada vertente de sensibilização, esta exposição procura também chamar a atenção e despertar os/as que a visitam para a importância de manter viva a chama desta luta, posto que ainda hoje existem, nos mais variados cenários, situações de descriminação baseada no género (muitas das vezes camufladas) das quais temos de estar cientes e às quais devemos dizer “Não”: enquanto mulheres, enquanto homens e, sobretudo, enquanto cidadãos.

Emmeline Pankhurst

Emily Pankhurst foi a líder das sufragistas britânicas, tendo desempenhado um papel fulcral na luta pela conquista do direito ao voto para as mulheres.

Em foco estarão marcos tais como a luta pelo direito ao voto universal, a desmistificação do estereótipo da mulher fumadora, os rostos da luta pela afirmação feminina no mundo laboral, as consequências sociais do uso de contracetivos, os protestos mais icónicos pela igualdade de género, a balança legal dos direitos das mulheres, o significado do biquíni e do burkini nas mais variadas culturas e até mesmo a conhecida história das Três Marias, que desafiaram o Estado Novo com a publicação do livro Novas Cartas Portuguesas; sem deixar de se fazer referência a mulheres com espírito de liderança que primaram nos mais variados campos.

Malala

Malala Yousafzai é uma estudante paquistanesa e oradora pelos direitos das mulheres à educação. Pela sua campanha avidamente direcionada para a promoção da educação feminina e para a crítica aos Talibãs, Malala sofreu pesadas represálias, tendo sido alvejada na cabeça por um atirador talibã. Felizmente sobreviveu e continuou, sem medos, a falar em prol dos Direitos Humanos, da Educação e dos Direitos das Mulheres. Em 2014, foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com Kailash Satyarthi, ativista indiana dos Direitos da Criança.

O visitante, além de mergulhar num filme exibido a 200º no Lounge do museu, é, nesta exposição, convidado a interagir com conteúdos adicionais, à medida que também é confrontado com dados e questões que desafiam diversos estereótipos pré-concebidos que avaliam até o seu próprio grau de machismo.

As Três Marias

As Três Marias. Em 1973, as escritoras Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa foram acusadas pelo Estado português de terem escrito um livro pornográfico e atentatório da moral pública e bons costumes, intitulado Novas Cartas Portuguesas. As Três Marias viriam a ficar conhecidas em todo o mundo pelas repercussões deste julgamento, classificado como a primeira causa feminista internacional.

Já foi inclusivamente lançado um teaser que visa cativar o público para a exposição Macho Media.

Rodrigo Moita de Deus, director do NewsMuseum, afirma: “Poucas pessoas saberão que Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal, em 1911, mas que foram precisos mais 63 anos para o voto se tornar universal, precisamente a partir do 25 de abril de 1974. Pela lente dos media, o NewsMuseum passa em revista os marcos desta luta centenária, de forma totalmente inesperada e inovadora”.

A iniciativa foi levada a cabo por via de uma parceria com a associação feminista Capazes. O objetivo das Capazes é, no fundo, promover a divulgação de informação e sensibilizar a sociedade civil para a igualdade de género nos mais variados campos e espetros sociais e económicos e para a necessidade que temos, enquanto mulheres capazes que somos, de defender os nossos ideais e direitos, hoje e sempre.

A porta-voz da associação Capazes, Rita Ferro Rodrigues, um rosto que grande parte de nós certamente já conhece, tem também a sua palavra sobre a causa que defende, estabelecendo uma ligação com o seu panorama atual: “As marchas que aconteceram recentemente nos Estados Unidos mostram que a luta das mulheres pela afirmação dos seus direitos e pela igualdade de género está na ordem do dia. Cabe a todos nós recordar, partilhar e até louvar estórias e vitórias conseguidas no passado, que nos devem inspirar para as batalhas do presente”.

Os bilhetes para esta exposição já se encontram disponíveis online. Crianças até aos 6 anos não pagam, jovens menores de 18 anos pagam 4€ e adultos pagam 8€. Existe ainda a opção de um pagamento individual de 3,50€ para visitas de estudo e o bilhete familiar (2 adultos+2 jovens menores de 18 anos), a 20€.