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Foto: Teatro da Garagem

Últimas sessões de ‘O Canto do Papão Lusitano’ no Teatro Taborda

Arranca hoje a segunda semana da reencenação do texto de Peter Weiss, O Canto do Papão Lusitano, apresentada pelo Teatro da Garagem. Em cena desde dia 9 de março, o palco do Teatro Taborda recebe as últimas sessões da peça que denuncia os aspetos mais negativos do colonialismo português.

A obra coral, estreada em 1967 em Estocolmo, na Suécia, foi encenada várias vezes por grupos de teatro amador, compostos por portugueses exilados em França, chegando também a ser levada a palco em Portugal, em 1974, pelo Conjunto Cénico Caldense, e tornando-se num grito de luta pela democracia e a favor do anticolonialismo.

Trazer a palco ‘Um Canto’ dos anos 60

A iniciativa de voltar a encenar a peça de Peter Weiss partiu da socióloga e professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Cláudia Madeira, quando propôs a Carlos J. Pessoa, encenador e membro da companhia Teatro da Garagem, que organizasse um workshop aos alunos de Teorias do Drama e do Espetáculo.

Levar a palco esta peça passa, sobretudo, por uma homenagem a Peter Weiss e à peça apelidada, por vezes, de Papão, Fantoche ou até Espantalho e que, este ano, comemora os 50 anos da sua estreia mundial, uma vez que ela representa um documento, um arquivo e mesmo um património histórico de grande relevância sobre este imaginário complexo do colonialismo português, da guerra e da resistência.

Em janeiro e fevereiro, para além dos ensaios semanais, foram organizadas duas mesas-redondas em que participaram historiadores e artistas que trabalham e estudam questões ligadas à memória e ao colonialismo, temas muito abordados na peça.

A construção do espetáculo

Num espectáculo de imersão no espaço e no som, o espectador é convidado a estar sempre atento, a escutar e a fazer parte de um dispositivo que reflete não só a realidade da ditadura fascista, mas também “o papão do presente”.

A encenação ficou a cargo de Carlos J. Pessoa, Cláudia Madeira ficou responsável pela dramaturgia e o elenco é composto por membros do Teatro da Garagem, Ana Palma, Beatriz Godinho, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro, e por dez alunos da FCSH/NOVA.

O espetáculo pode ser visto no Teatro Taborda de quinta a domingo, pelas 21.30h.

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