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Dino Alves | ModaLIsboa Boundless

Ana Bola e Maria Rueff satirizam a indústria da moda no desfile de Dino Alves

Ficámos sem saber se o atraso de mais de uma hora do desfile de Dino Alves foi ou não intencional. É que a apresentação da coleção foi, também, uma crítica ao funcionamento da indústria da moda em Portugal. Os atrasos dos desfiles foram um dos alvos da apresentação. Intitula-se Manual de instruções e foi lido por Ana Bola e Maria Rueff.

A mensagem que vinha em forma de guião humorístico foi encenada (porque tudo na vida acaba por ser um teatro) pelas duas atrizes que arrancaram ao público muitas gargalhadas, ou não se tratasse de Ana Bola e Maria Rueff. Entre piadas, ambas deram as instruções do desfile e fizeram críticas diretas que lhes valeram aplausos, muitas vezes, vindos de quem estava a ser criticado. A ironia é uma arma fantástica, não é?

Maria Rueff e Ana Bola abrem desfile de Dino Alves

Num intermediário do manifesto de Dino Alves, as atrizes agradeceram a presença da imprensa cor-de-rosa e das celebridades. Mas também da “imprensa transparente”, definida por elas como aquela que está presente nos desfiles mas que não escreve qualquer conteúdo sobre eles.

Relembraram também aos convidados que o local onde pediram os convites e onde pedem roupa emprestada para eventos é o mesmo onde podem comprar as peças do criador. Dino Alves quis, indubitavelmente, arrasar as aparências e valorizar o trabalho e as criações dos designers.

Dino Alves | ModaLIsboa Boundless

Não ficaram esquecidos os agradecimentos aos VIP (Very Important Person), e com isto queremos dizer, os agradecimentos às alfaiatarias, àquela costureira e à outra, e ainda à fábrica de têxteis – os verdadeiros VIP e que tornam possível aquilo que todos vemos nos desfiles: a roupa.

O início do desfile não significou o fim das críticas

Ana Bola e Maria Rueff já tinha antecipado: não há botões nas peças. Os tecidos estão unidos entre si com nós, criando a possibilidade de alterar a sua disposição. Numa lógica de “faça você mesmo”, as peças são adereçadas com elásticos ou partes soltas para dar diferentes opções de modelos ao consumidor.

Mas a grande crítica da coleção de Dino Alves surgiu em forma de t-shirts com frases como I Prefer Chanel ou Love Gucci numa crítica ao escasso consumo de moda portuguesa e à desvalorização da mesma. As restantes peças tinha uma característica transversal: uma etiqueta de papel pendurada, numa lembrança de que o criador precisa de vender as suas peças. No final do desfile, a prova estava dada. Dino Alves surge com uma t-shirt onde se lia Buy me.

Um aplauso em pé para este senhor, que se reinventa a cada coleção.

 

Fotografia: Inês Lopes da Costa

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