A segunda semana de março ainda é o que era e ficámos a conhecer 16 novas canções para a competição no Festival Eurovisão da Canção, em Kiev. Como diria o Emanuel, “vamos a elas”. 

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Antiga República Jugoslava da Macedónia: Jana Burčeska – Dance Alone

Depois de receber mais de 200 propostas, a televisão estatal da Macedónia optou por Dance Alone, interpretada por Jana Burčeska, para levantar a bandeira do país no Festival Eurovisão da Canção. É um pop eletrónico e moderno, que terá possibilidades de se distinguir num cenário muito dominado por baladas.

A pequena nação balcânica participa no evento desde 1998, mas nunca foi além da 12.ª posição. A última vez que esteve numa final foi em 2012, com a participação do ano passado a ter ficado na pior das classificações: o 11.º lugar na semifinal, a poucos pontos de alcançar um lugar na grande noite do Festival.

Austrália: Isaiah – Don’t Come Easy

A Austrália, o país mais distante da competição, não desiste de conquistar a Europa. Na sua terceira participação, aposta numa balada dos mesmos criadores de Sound of Silence, a canção do ano passado.

Isaiah, o intérprete, tem apenas 17 anos e venceu o Factor X australiano em 2016. Vai ser um dos cantores a disputar um lugar de apuramento na primeira semifinal. Foi mal recebida pelos apostadores, e percebe-se porquê: é só mais uma power ballad num ano em que toda a gente decidiu concorrer com elas.

 Azerbaijão: Dihaj – Skeletons

Depois de uma era de ouro, com uma vitória e presença constante no top 5, entre 2008 e 2013, a partir daí o Azerbaijão afastou-se dos lugares cimeiros da tabela. No entanto, nunca deixou de se qualificar para a final.

Este ano, Dihaj apresenta uma proposta com roupagens mais alternativas do que é costume nas participações azeris, mas no fundo esta continua a ser uma canção cuidadosamente pensada e trabalhada para o Festival. É um épico eletropop que nos mostra uma nova face da música do Azerbaijão.

Bélgica: Blanche – City Lights

Blanche protagonizou o maior buzz da semana no que diz respeito às novas participações eurovisivas. Antes de escolher, a Bélgica estava em 35.º nas classificações dos apostadores a nível mundial. Agora é a segunda classificada, apenas atrás da Itália, grande favorita do certame.

Não é surpresa para ninguém que se trate de mais uma música em ritmo lento, surgindo City Lights a confirmar uma tendência de indie pop nas escolhas deste ano. Um dos membros fundadores do Festival Eurovisão, a Bélgica não vence desde 1986. No entanto, conseguiu dois top 10 nas últimas edições. Será desta o regresso às vitórias?

Grécia: Demy – This Love

A Grécia ficou pela primeira vez fora de uma Grande Final da Eurovisão na edição 2016 do Festival. Este ano, para tentar recuperar os bons resultados, fez uma seleção interna com a cantora Demy.

This Is Love regressa a verões passados e lembra-nos como foram alguns dos trabalhos de David Guetta. Começa com piano, parece uma balada, e explode num refrão para pistas de dança. Não podemos dizer que seja uma aposta inovadora, mas é com certeza melhor que a proposta do ano passado.

https://www.youtube.com/watch?v=sBom9VecMKw

Irlanda: Brendan Murray – Dying to Try

O jovem Brendan Murray foi escolhido pela RTÉ para levar a voz da Irlanda até Kiev. Dying to Try, uma composição do sueco Jörgen Elofsson e do britânico James Newman, tem, sem dúvida, espaço para que o cantor mostre o que vale.

Balada à antiga, com direito a agudos de impôr respeito, podemos considerá-la um regresso da Irlanda ao lugar onde foi feliz. Vencedor por seis vezes, e maioritariamente com baladas, o país só chegou duas vezes ao top 10 nos últimos 13 anos.

Islândia: Svala – Paper

Fui o único a achar que ela tem uma voz parecida com a de Madonna? A Islândia lança-se este ano com uma aposta classicamente escandinava, que mistura arranjos modernos com uma vibe que, de alguma forma, nos leva a recordar os anos 80.

Svala foi sempre favorita na seleção islandesa, mas isso não é tudo quando a competição passa a ser internacional.

Israel: Imri Ziv – I Feel Alive

Numa época em que o conceito de “canção festivaleira” parece estar definitivamente ultrapassado, Imri concorre ao Festival da Eurovisão com um tema que cumpre todos os parâmetros desse estereótipo.

Música de ir às pistas de dança, cantada por um intérprete com bom aspeto, que sobe uma gradual escada de agudos até um explosivo refrão final. Mais universal do que Golden Boy (Israel 2015), apresenta ainda assim alguns toques de música oriental, com aquele cheirinho étnico que a Europa tanto pontuou nos últimos anos.

Lituânia: Fusedmarc – Rain of Revolution

Os lituanos puderam acompanhar a seleção da sua canção durante nove semanas e, no fim, a vitória foi para os Fusedmarc.

Entre 51 canções concorrentes, a escolha recaiu numa aposta em que nada parece fazer sentido. A voz não encaixa no instrumental, e o instrumental não encaixa nos nossos ouvidos. É datada, tem um arranjo pobre e, por mais que tentemos, não é possível apresentá-la sem te fazer um aviso: Ouve baixinho e com moderação, esta é uma música com todo o potencial para provocar enxaquecas.

https://www.youtube.com/watch?v=-pDtZMexPWo

Montenegro: Slavko Kalezić – Space

Se quisermos começar com uma palavra, a escolha é óbvia: kitsch. É uma canção funk-pop com um videoclipe bastante provocador, seguindo o estilo habitual de Slavko.

Uma discoteca saída dos anos 90 encontrou-se com Game of Thrones e com o Carlos Costa e resultou nesta aposta de Montenegro. A participar desde 2007, altura em que se tornou um país independente, só conseguiu duas presenças na final.

Noruega: JOWST – Grab the Moment 

A Noruega conta cinco presenças no top 10 na última década, mas no ano passado nem sequer chegou à Grande Final. Desta vez são os JOWST. O grupo traz Grab The Moment e boa onda.

Numa canção que absorve várias das tendências musicais de 2016 e 2017, é natural que soe familiar aos espectadores do Festival da Eurovisão. Criticada pelos fãs por nunca chegar a uma verdadeira explosão, acreditamos em três minutos de um verdadeiro dance relief no Pavilhão dos Desportos, em Kiev.

República Checa: Martina Bárta – My Turn

My Turn é a terceira balada consecutiva da República Checa, que conseguiu estar na Grande Final pela primeira vez na edição 2016 do Festival.

Contrariamente à aposta do ano passado, esta é uma canção tranquila e sem sobressaltos, o que a desloca das restantes baladas a concurso. Suave e íntima, Martina traz jazz a um concurso em que a diversidade é sempre bem-vinda.

Roménia: Ilinca e Alex Florea – Yodel It!

Os romenos marcam presença na Grande Final desde sempre, mas continuam sem alcançar a vitória. Este ano, o público deu a vitória a Yodel It, sendo esta a primeira vez em que a escolha fica do lado do televoto.

O R&B e o hip-hop encontram-se com o tirolês numa das músicas mais divertidas desta edição. A apresentação em palco ainda vai melhorar até maio, e é possível que a Roménia volte a ter argumentos para chegar ao top 10.

San Marino: Valentina Monetta & Jimmie Wilson – Spirit Of The Night

A Valentina Monetta vai representar San Marino pela quarta vez. Sim, estamos a ver e a ler bem. E a música volta a ser composta pelo Ralph Siegel.

Não conseguimos perceber qual é o objetivo deste país na Eurovisão e voltamos a ter uma música extraída diretamente de uma compilação de greatest hits dos anos 90.

Valentina e Jimmie têm uma prestação vocal bastante segura e são convincentes enquanto duo, porém terão de defender uma música que, mesmo editada em 2017, parece ter saído de uma gaveta qualquer em que o compositor já não mexia há muito tempo.

Sérvia: Tijana Bogićević – In Too Deep

A Sérvia faz o que sabe melhor: uma power ballad com arranjos modernos e sons dos Balcãs.

Esta aposta de Tijana podia passar em qualquer rádio do mundo, e o início até nos parece demasiado igual a muitas das coisas que nos têm passado pelos ouvidos, mas depois percebemos que tem dois traços muito particulares: uma performance vocal de topo e os sons tradicionais da música sérvia.

Tem estado com boas classificações nas previsões e apostas e há um motivo para isso: é uma música pensada ao milímetro para resultar na Eurovisão.

Suécia: Robin Bengtsson – I Can’t Go On

A maior fábrica de sucessos da Eurovisão não deixa créditos por mãos alheias e Robin Bengtsson parece estar fadado a mais um top 5.

Naquela que é a final nacional mais competitiva de todas, e também a que mais fervorosamente é acompanhada pelos fãs da Eurovisão, Robin conjugou swing e sedução com uma guloseima pop que deixa para trás grande parte das últimas composições de Justin Timberlake.

Mas é isso, soa a algo que já conhecemos. E este ano estamos a precisar de sair da zona de conforto.