A falta de informação e o consumo exagerado de certos alimentos, assumem papéis de risco para quem, efectivamente, quer ser saudável. O alerta é lançado pelo American College of Cardiology (ACC), que pretende desmistificar alguns conceitos em relação a certos alimentos e salientar as boas práticas para uma dieta saudável para o coração.

O stress do dia-a-dia, a falta de tempo ou o cansaço podem levar a que tenhamos uma alimentação menos cuidada. No entanto, não são apenas estes erros que podem comprometer a nossa saúde.

Todos os anos somos confrontados com um novo alimento que irá mudar por completo a nossa dieta e terá todos os benefícios e mais alguns. Certo é que muitos destes produtos são alvo de uma forte campanha publicitária e de uma exposição exagerada, sem que para isso exista uma justificação plausível.

O estudo foca-se em certos alimentos como o ovo – no qual o consumo deve ser limitado, tal como em alimentos com alto teor de gordura, que interferem com o colesterol -, mas também nos óleos vegetais (como o de coco e de palma), os sumos, ou a suplementação antioxidante.

Óleos vegetais

No desenvolver da publicação feita no Journal of the American College of Cardiology, o artigo explica que o consumo exagerado de óleos como o de coco ou de palma, pode conduzir a efeitos negativos, devido às suas gorduras saturadas, sendo que o azeite continua a ser o mais recomendado para uma dieta amiga do coração.

Rita Morais, nutricionista de profissão, refere que o óleo de coco “não deve ser utilizado quando sujeito a confecção, por causa das gorduras saturadas”. Acrescenta que “não é um alimento assim tão saudável, mas que, efectivamente, conseguiu entrar na moda”.

Sumos

A redução das frutas e vegetais para o estado líquido pode levar a que se perca as suas fibras e acelere o processo de absorção calórica. É sugerido que estes sejam consumidos no seu estado natural e que, nos sumos, se reduza a adição de açúcares (mel, por exemplo).

Suplementos antioxidantes

A suplementação antioxidante tem sido uma opção em muitas dietas pelos seus supostos benefícios para a saúde. Porém, o estudo não revelou que estas possam ter um impacto significativo na saúde do coração. O consumo de frutas e vegetais continuam a ser a melhor opção, não sendo necessário nenhuma adição de suplemento.

Afinal o que podemos comer para o bem do nosso coração? Segundo o artigo, o consumo de alimentos como o azeite extra-virgem, frutos secos (30 gramas por dia), mirtilos, morangos, vegetais de folha verde e proteínas de origem animal, pode trazer altos benefícios e traduzir-se numa significativa taxa de sucesso no cumprir deste objectivo.

O papel do aconselhamento

Rita Morais confirma o papel do nutricionista como um mediador de informação, que apela ao equilíbrio e à moderação. Explica que “não há um alimento milagre. Não é um, não são dois, nem meia dúzia de alimentos que vão ditar um padrão de alimentação saudável”. A especialista esclarece que não existem dietas standard, muito menos milagrosas. Estas “devem ser adaptadas consoante o objectivo da pessoa, idade, vida ou trabalho”.

A nutricionista afirma que o aconselhamento “pode e faz toda a diferença”. E porque? “Porque adaptam-se horários, tiram-se dúvidas e acaba-se por aprender”. A alimentação deve ser ajustada à rotina da pessoa e as recomendações individuais “é que fazem sentido, pois as dificuldades de uma pessoa podem ser diferentes de outra”.