“Celebrar a convivência do cinema com a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no Porto, em 1916″. É este o objetivo do ciclo de cinema organizado pelo Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, em parceria com a Cinemateca Portuguesa e o Cinema Passos Manuel.

O ciclo de cinema Ecos de Amadeo começa já no próximo domingo, dia 12, e alarga-se até ao dia 30 do mesmo mês. Esta será uma homenagem ao artista plástico português e ao Jardim Passos Manuel, construído em 1908 e destruído três décadas mais tarde.

Dentro do leque de filmes em exibição, destaca-se O Debute de um Patinador, de 1914, que “emerge recentemente dos arquivos da Cinemateca para dar um retrato bem vivo do salão de festas onde Amadeo expôs as suas polémicas obras há 100 anos e do ambiente global do Jardim Passos Manuel, entretanto demolido”. 

Jardim Passos Manuel, entretanto demolido

Maria João Vasconcelos, diretora do Museu Nacional Soares dos Reis, informou a Lusa de que as sessões, que acontecem a 12, 16, 23 e 30 de Março, representam “uma reflexão sobre a época, o próprio cinema e as relações com a cidade”.

Segundo a diretora do Museu, “todo o entusiasmo gerado mostrou que a figura do Amadeo é carismática e de importância enorme, uma figura marcante”, considerando ainda a existência de uma “relação indissociável” entre o Porto e o cinema para a realização deste ciclo de cinema.

Caricatura do pintor Emmerico Nunes, por Amadeo de Souza-Cardoso (1909)

Os filmes deste ciclo serão exibidos em formato digital, embora o Museu tenha a intenção de “trabalhar os equipamentos utilizados na época numa exposição futura”.

Na última sessão do ciclo, que será 30 de março, pelas 22 horas no Jardim Passos Manuel, ocorre a exibição de Máscara de Aço contra Abismo Azul, de Paulo Rocha. A longa metragem realizada em 1988 sobre Amadeo de Souza-Cardoso e criada por ocasião do centenário do seu nascimento, foi digitalizada e restaurada pela Cinemateca Portuguesa e esteve em exibição no Cinema Ideal em Lisboa.

Máscara de Aço contra Abismo Azul

Maria João Vasconcelos revela ainda que o Museu vai “avançar com a renovação da exposição permanente” de modo a integrar “um reforço na área do modernismo e do peso que teve na arte portuguesa”, apesar de ainda não existirem datas para as mudanças, que estão “dependentes dos resultados de candidaturas a fundos europeus”.

A sessão do próximo domingo realiza-se às 16 horas, enquanto as agendadas para os dias 16 e 23 de março acontecem às 21h30, no Museu Nacional Soares dos Reis.