Teresa Branco é uma mulher cujo percurso de vida a levou a seguir uma paixão antiga debruçada na cerâmica e nas artes plásticas. O Espalha-Factos teve a oportunidade de conhecer a artista plástica num debate focado sobre o papel que a mulher tem na sociedade atual.

De Serviço Social para Artes Plásticas

Natural de Coimbra, licenciada em Serviço Social, Teresa considera-se uma “mulher migrante” em vários aspetos. Locais como Coimbra, Serra da Estrela e Porto são os locais pelos quais passou ao longo da sua vida, estando atualmente a residir na terceira cidade referida.

Durante o seu percurso sempre esteve envolvida em várias iniciativas relacionadas com a sua área de formação. No Porto abriu o Centro Porta Amiga, assim como o programa Urban, que pretendeu intervir numa zona desfavorecida da cidade Invicta, especificamente no vale de Campanhã. Teresa também trouxe até ao Porto o programa Aconchego, tendo recebido um prémio de reconhecimento.

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“Entretanto, o que aconteceu foi que eu (…) tive oportunidade de mudar de vida. Haviam algumas situações que já não eram suficientemente desafiantes para mim”. No entanto, foi nas artes plásticas que acabou por encontrar o seu verdadeiro dom, especificamente com a cerâmica.

“Sempre tive uma relação com a natureza, com o orgânico e com as três dimensões. E a cerâmica, apesar de eu desenvolver artes plásticas em várias áreas, foi sempre aquela que me permitiu criar numa escala e numa dimensão que me é muito querida.”

Aliás, a sua relação com esta arte já a acompanha desde há muito tempo, especificamente desde os seus 18 anos. “Eu tinha outro tipo de competências, principalmente na área plástica,enquanto ceramista. E resolvi mudar de vida porque acredito que à minha escala eu posso contribuir para a qualidade de vida de outras pessoas.”

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Dentro desta área, Teresa tem o projeto Brâmica, focado em arteterapia associada à cerâmica. Descreve ainda o espaço deste seu projeto como sendo “simpático”, onde pessoas de variadas idades, origens e formações se juntam para desenvolver os seus projetos.

“É uma oficina na qual as pessoas ocupam o seu tempo a desenvolver projetos criativos. Há um défice de oportunidade de espaços de encontro de criatividade e que permite às pessoas fazerem algo que as motive e amplie nas suas competências.”

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Além disso o foco do seu trabalho também se vira para a cerâmica artística alternativa. Não só dá workshops de cerâmica tradicional, como ainda se foca na cerâmica japonesa, cerâmica de pormenor, cerâmica de baixa temperatura entre várias outras áreas.

“O meu objetivo é criar algo de belo e que esse ‘belo’ seja simples.”

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Workshop azulejaria BRÂMICA

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As Mulheres Portuguesas na Cultura

Debate sobre o papel da mulher na sociedade (Fânzeres, Gondomar).

Foi no evento O Papel da Mulher na Sociedade que tivemos a oportunidade de conversar com Teresa, assim como de saber alguns dos seus pontos de vista face ao papel feminino na cultura. Os pontos de vista que apresentou no debate, revelam a uma perspetiva positiva.

“É importante que as mulheres tenham um papel fundamental na sociedade. Mas é fundamental que essas mulheres tenham consciência do seu real papel.”

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Teresa define as mulheres como sendo “educadoras, cuidadoras, amantes” e donas de “inúmeros papéis” pelo facto de conseguirem ser simultaneamente várias coisas. “A partir do momento em que a mulher se consciencializa do seu papel como agente de mudança para um mundo melhor, de amor e fraternidade, aí é possível que a sua educação tenha esse tipo de impacto.”

“Nunca tivemos tantas mulheres com tantas competências como temos agora.”

Durante o debate, Teresa focou-se particularmente no papel da mulher portuguesa na cultura. A artista plástica sublinhou o papel de artistas cujo talento e trabalho são conhecidos a nível internacional, sublinhando nomes como: Paula Rego, Vieira da Silva, Joana Vasconcelos, entre outras.

“A nível artístico somos conhecidas pelas mulheres artistas e pelos homens na escrita e na arquitetura. Mas, de facto, as mulheres destacaram-se muito a nível artístico em Portugal no estrangeiro.”

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Quando se levantou a questão sobre se é mais difícil às mulheres serem artistas em comparação com os homens, Teresa respondeu que não sabia ao certo. “Mas o que eu tenho na minha oficina, e aí posso falar com certezas, sobre as pessoas que desenvolvem projetos comigo, tenho uma percentagem mais elevada de mulheres e menos de homens”, salientando que os homens nas suas atividades tendem a interessar-se mais pelos workshops que exigem força física.

“Se nós tivermos mais educação, mais condições de trabalho, menos horas de trabalho e melhor educação e disponibilidade de tempo para pais e mães educarem melhor os seus filhos, teremos seres humanos muito mais felizes.”

As mulheres participantes no debate “O Papel da Mulher na Sociedade”.

No geral, a sua perspetiva revelou-se positiva, quer para as mulheres como para os homensem várias áreas sociais. No entanto, Teresa fez sempre questão de sublinhar a importância das primeiras terem uma consciência da importância do seu papel na sociedade.