Esta quarta-feira assinala-se o Dia Internacional da Mulher e o objetivo desta comemoração é reconhecer a importância e o contributo da mulher na sociedade. Em palco e pelo mundo do teatro e da dança, em Portugal e no estrangeiro, as mulheres também marcam a sua posição. Neste dia, não podíamos deixar de destacar aqui algumas delas, cuja garra e talento servem de inspiração para muitas.

Pelos palcos de teatro

Eunice Muñoz

Com origens numa família de atores, Eunice Muñoz estreou-se em 1941, na peça Vendaval, de Virgínia Vitorino, com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II. O seu talento foi de imediato reconhecido e admirado por Palmira Bastos, pela própria Amélia Rey Colaço e outros, o que lhe permitiu uma rápida integração na companhia.

Integrou entretanto a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, que terminou com 18 valores, e, a partir daí, continuou a colecionar sucessos tanto no teatro como na televisão onde protagonizou papéis que nos marcam até hoje.

Atualmente com 88 anos, Eunice é uma referência do teatro português, considerada unanimemente uma das melhores atrizes portuguesas de todos os tempos. Posto isto, o que há mais a dizer sobre ela?

Maria João Abreu

foto: divulgação

Depois de, em 1983, se estrear no musical Annie de Thomas Meehan, dirigida por Armando Cortez no Teatro Maria Matos, Maria João Abreu fez vários espetáculos de revista no Parque Mayer. No entanto, foi ao participar em O Último dos Marialvas de Neil Simon, na Casa da Comédia, que passou  a ser reconhecida como atriz de comédia.

Em 1998 fundou, com José Raposo, a produtora Toca dos Raposos, responsável por sucessos como a revista Ó Troilaré, Ó Troilará ou o musical Mulheres ao Poder.

Entre vários trabalhos que marcaram a sua carreira, como a Rainha do Ferro Velho de Garson Kanin, encenado por Filipe La Féria no Teatro Politeama, ou O Libertino, peça encenada por José Fonseca e Costa, no Teatro da Trindade, a atriz soma quase 35 anos de carreira e uma vasta experiência em teatro e televisão.

Manuela Maria

foto: divulgação

Manuela Maria já quase dispensa apresentações. Viúva do encenador português Armando Cortez (1928-2002), a atriz estreou-se no teatro de revista em 1958, com Vamos à Lua, no Teatro ABC. Trabalhou maioritariamente em comédia, nos teatros do Parque Mayer ou na Companhia de Laura Alves. Fez parte da Companhia de Ribeirinho e Henrique Santana até meados da década de 70 e participou em revistas até aos anos 80.

Integrou já por várias vezes produções de Filipe La Féria, como o musical A Canção de Lisboa (2006), e, mais recentemente, a peça As Árvores Morrem de Pé, no Teatro Politeama, recriação do original de Alejandro Casona e um sucesso de bilheteiras.

Aos 81 anos, Manuela Maria é uma das artistas mais respeitadas da sua geração cujo talento e importância para o teatro português são inegáveis.

Meryl Streep

foto: visualhunt

Mary Louise Streep, ou Meryl Streep de seu nome artístico, é uma atriz norte-americana, reconhecida como uma das mais talentosas  e premiadas de todos os tempos. Meryl Streep já recebeu 20 indicações aos Óscares, vencendo três vezes. Recebeu também 29 indicações ao Globo de Ouro, vencendo oito, entre outros prémios.

No entanto, foi no teatro, tanto no palco como atrás dele, que a artista americana nasceu e cresceu. Estreou-se no papel principal da peça Miss Julie, no Vassar College. Em 1972 entrou para o  Yale Repertory Theatre, onde permaneceu até 1975, participando de 14 espetáculos, entre eles A Midsummer Night’s Dream, de William Shakespeare. No mesmo ano participou na montagem de Trelawny of the Wells, no Vivian Beaumont Theater e, posteriormente, de 27 Wagons Full of Cotton/A Memory of two Mondays e Secret Service.

Recebeu três indicações para o prémio de melhor atriz do Drama Desk Award de 1976, pelos seus três primeiros papéis no teatro. Por 27 Wagons Full of Cotton/A Memory of two Mondays foi indicada também ao Tony e venceu o Outer Critics Circle.

Após 21 anos longe dos palcos voltou aos teatros, no circuito off-Broadway, para encenar, em 2001, The Seagull, de Anton Tchekhov. Em 2006 participou da montagem de Mother Courage and Her Children, sendo pela sétima vez indicada ao Drama Desk.

Maggie Smith

Apesar de famosa pelo seu papel de Madame Minerva McGonagall nos filmes da saga Harry Potter, Margaret Natalie Smith, conhecida como Maggie Smith, é uma premiada atriz britânica.

A atriz pisou os palcos pela primeira vez pela Universidade de Oxford, em 1952, e fez a sua estreia profissional em Nova Iorque, na New Faces 1956 Revue. Mais tarde, em 1959, juntou-se à Old Vic Company, e começou, desde logo, a colecionar prémios, incluindo o de melhor atriz do Evening Standard, em 1962, pelos seus papéis como Doreen em The Private Ear e Belinda em The Public Eye. Juntou-se ao National Theatre em 1963, onde interpretou diversos sucessos. Venceu também um Tony como melhor atriz em Lettice and Lovage (1990).

Contudo, foi em 1969, com sua interpretação no filme The Prime of Miss Jean Brodie, que se tornou conhecida do grande público. Esta atuação rendeu-lhe um Óscar e um prémio da Society of Film TV Arts de melhor atriz.

Apesar do sua carreira no cinema e televisão, Maggie Smith permanece fiel aos palcos. O seu último trabalho reconhecido foi em The Lady From Dubuque, no Theatre Royal Haymarket, no ano de 2007.

Pelos palcos de dança

Cristina Delius

foto: página Facebook Cristina Delius

Cristina Delius estudou dança clássica em Lisboa. Trabalhou com a Oficina Teatro e Dança e com o Ballet Gulbenkian. Mais tarde, foi para Paris e estudou no Conservatório Marcel Dupré. Em França, prosseguiu também com a sua aprendizagem de sapateado no Centre de Dance du Marais, com Victor Cuno.

Em 1991 foi para Nova Iorque onde aprofundou esse estudo, continuando ainda assim a estudar dança moderna. Entretanto, apaixonou-se por um alemão e mudou-se para Berlim onde dirigiu a Tapa Toe Steptanzstudio, considerada pelos melhores bailarinos norte-americanos de sapateado como a melhor escola da especialidade na Europa.

O estúdio infelizmente teve que fechar, mas, em 2011, a bailarina portuguesa já se preparava para abrir a TapBeat, Centro Internacional de Tap Dance, onde leciona. É, também, membro da International Tap Dance Orchestra e do grupo artístico internacional Voyages du Geste, atuando como convidada em Portugal e França. Lidera ainda o trio Tripeco, um projeto de percussão triângular.

A sua formação em dança clássica e moderna permite-lhe combinar elementos de jazz com improvisação livre. Atualmente, as suas atuações e aulas em workshops levam-na a andar pelo mundo, onde o seu trabalho é reconhecido e muito apreciado.

Olga Roriz

foto: página Facebook Olga Roriz

Natural de Viana do Castelo, Olga Roriz teve como formação artística o curso da Escola de Dança do Teatro Nacional de S. Carlos e o curso da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.

De 1976 a 1992 integrou o elenco do Ballet Gulbenkian sob a direção de Jorge Salavisa, onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal. Lá trabalhou com diversos  coreógrafos de renome como Vasco Wellemkamp e Elisa Monte. Em 1992 assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa e, mais tarde, em 1995, fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa.

O seu reportório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 90 obras, de onde se podem destacar algumas como Pedro e Inês, Electra, Pets e A Sagração da Primavera. Criou e remontou também peças para companhias nacionais e estrangeiras, entre elas o Ballet Gulbenkian e a Companhia Nacional de Bailado (Portugal), Ballet Teatro Guaira (Brasil), Ballets de Monte Carlo (Mónaco), English National Ballet (Inglaterra), American Reportory Ballet (E.U.A.), entre outras.

Os trabalhos da coreógrafa portuguesa já correram as principais capitais europeias, assim como os E.U.A., Brasil, Japão, Egito, Cabo Verde, Senegal, Tailândia, Macau, Moçambique e Coreia do Sul. Já arrecada, por isso, um vasto número de distinções nacionais e estrangeiras, desde o 1º Prémio do Concurso de Dança de Osaka, Japão (1988), Prémio da melhor coreografia da Revista Londrina Time-Out (1993), e outros igualmente relevantes.

Olga Roriz é considerada uma referência no panorama nacional da dança contemporânea e não só, pois as suas coreografias arrasam pelos palcos internacionais.

Blaya

foto: página Facebook Blaya

Blaya é um ícone do mundo das danças africanas em Portugal. Depois de participar no Achas que Sabes Dançar, em 2010, a bailarina e coreógrafa portuguesa tem dado muitas cartas no mundo da dança e da música em Portugal.

Ex-vocalista da banda frequentemente apelidada como fundadora do som electrónico kuduro, os Buraka Som Sistema (2005-2016), Karla Rodrigues, de seu nome verdadeiro, continua a prender as atenções do mundo inteiro com a sua presença e energia inesgotáveis em palco.

Atualmente uma reconhecida professora de afrohousekuduro, o que faz dela uma das poucas ‘kuduristas’ nacionais, Karla assume-se também como MC e escritora desde 2001 e bailarina desde 2004.

Provocação, sensualidade, beats que se dançam sem hora nem local, a sua singularidade e a sua presenças nas redes sociais, Blaya mostra-nos sempre o seu lado de mistura funk (por ter nascido no Brasil), trap e hip-hop, em conjunto com o seu lado R&B mais delicado. Um trabalho eclético que define a sua carreira a solo, tanto na dança como na música.

Svetlana Zakharova

foto: website de Svetlana Zakharova

Svetlana Zakharova nasceu em Lutsk, na Ucrânia. Laureada com o prémio estatal russo de People’s Artist of Russia, ela foi primeira bailarina do Teatro Bolshoi da Rússia e estrela do Teatro La Scala, em Milão, Itália.

Aos 10 anos ingressou a Kiev Choreography School e, aos 15, já participava na competição Vaganova Prix, em São Petersburgo, onde foi a bailarina mais jovem. Ganhou o segundo prémio.

Após o concurso, Svetlana aceitou o convite para entrar na Vaganova Ballet Academy, em São Petersburgo. Sendo o único caso em toda a história desta instituição, saltou o segundo ano e foi diretamente para a turma de graduação.

Desde logo, todas as atenções recaíram sobre o seu talento e, seis meses depois, era já convidada para dançar um solo no bailado Don Quixote, no Mariinsky Theatre. Com essa variação, um dos mais complicados papéis clássicos – a Rainha das Dríades -, Svetlana transformou-se numa estrela em ascensão.

Com 17 anos, concluiu o curso na academia e entrou logo para a companhia do Mariinsky Theatre, onde trabalhou com artistas importantes do ballet russo e interpretou diversos papéis. O mais importante foi o bailado Giselle, referida por críticos e empresários da área como uma das suas melhores performances.

Ao receber o estatuto de primeira bailarina, aos 18, Svetlana continuou seu trabalho Mariinsky Theatre, expandindo o seu repertório com peças clássicas e modernas, como A Bela Adormecida, o Lago dos Cisnes, e com estreias de George Balanchine, entre outros. Em Now and then, do grande coreógrafo John Neumeier, a jovem bailarina foi apresentada como uma artista ultramoderna, capaz de dominar estilos e géneros de dança além da arte do ballet clássico.

Ao mesmo tempo, começa a ganhar reconhecimento internacional. Em 2001, assinou o seu primeiro contrato com a L’Opera de Paris para Bayadère. Em tour pisou vários palcos de muitos cidades da Europa, Ásia, Austrália e América do Sul.

Depois, La Scala assinou um contrato de longo prazo com ela e, com ele, recebe mais uma vez o estatuto de primeira bailarina, a primeira russa na história deste grande teatro. Em 2003, junta-se à companhia de ballet do Bolshoi Theater, onde mais uma vez se torna uma estrela da companhia pela mão de Yuri Grigorovich, um dos maiores coreógrados de todos os tempos.

Esta artista de renome é uma intérprete única e universal do património de bailados clássicos e demonstra o seu domínio na Rússia e em todo o mundo. A bailarina continua a expandir o seu repertório com peças modernas e, sem medo, experimenta e faz uso das suas inquestionáveis capacidades técnicas.

Parris Goebel

foto: página Facebook Parris Goebel

Parris Goebel nasceu em Auckland, Nova Zelândia. Quando fez 10 anos começou aulas de hip-hop e, aos 15 anos, já criava o grupo ReQuest Dance Crew com quatro amigas.

Um ano depois, ainda juntas, participaram pela primeira vez na Monsters of Hip Hop Dance Convention. Parris foi selecionada para dançar no final da convenção. A partir daí, nunca mais parou.

Em 2012, a dançarina participou no America’s Best Dance Crew e no Dancing With the Stars, na Austrália. No mesmo ano, foi em digressão com Jennifer Lopez.

Participou e coreografou o filme de dança americano Step Up: All In, lançado em 2014. Em 2015, a Nova Zelândia apresentou o seu primeiro filme de hip-hop chamado Born to Dance. Goebel foi a principal coreógrafa.

A artista de hip-hop já trabalhou com artistas como Justin Bieber, Rihanna, Janet Jackson, Jennifer Lopez e Nicki Minaj. Do seu repertório constam coreografias, competições e bastantes participações em videoclipes. Um de seus maiores sucessos foi a coreografia do vídeo Sorry, de Justin Bieber, em 2016, tornando-se o vídeo mais visto no YouTube com mais de 3 mil milhões de visualizações. O videoclipe foi premiado nos American Music Awards como o melhor vídeo do ano.

Em 2009, Goebel foi galardoada com os prémios Coreografia de Hip-Hop do Ano (Nova Zelândia) e Dançarino do Ano. Continuou a somar nomeações e prémios e, em 2016, ganhou o prémio de Coreógrafa do ano nos World Of Dance Awards.

Parris Goebel é conhecida pelo seu estilo particular e criativo, o polyswagg. Como ela própria descreve, este é baseado em ouvir, respirar e viver a música, não fosse ela uma apaixonada pela dança. As suas inspirações surgem do estilo DanceHall. As ReQuest Dance Crew, ainda dirigidas e coreografadas por ela, pretendem continuar a dar que falar e a deixar-nos de queixo caído com a rapidez dos movimentos e a alegria contagiante das suas performances.