Os utilizadores do sistema operativo iOS conhecerão com certeza a função de sugestão de emojis, que atualmente está integrada no teclado dos telemóveis da Apple. A função inteligente sugere emojis equivalentes a palavras, quando elas são digitadas. Aquilo de que podem ainda não se ter apercebido é de como as sugestões demonstram uma visão por vezes falocêntrica da realidade.

Foi o site Mashable que deu conta daquilo a que chamaram “uma surpresa sexista”: quando se introduz um lugar de chefia na organização empresarial, o teclado sugere um emoji masculino.

Para a posição de diretor executivo [CEO], que em inglês não tem género, surge a sugestão com um emoji do género masculino. O mesmo acontece para outras posições como CFO ou CTO, os papéis de liderança nas áreas financeira e técnica.

A sugestão do emoji masculino é feita mesmo que o sujeito da frase seja do género feminino.

Se testarmos em português: com o substantivo “presidente”, que admite os dois géneros, o resultado é idêntico. O emoji sugerido é um presidente homem.

Silicon Valley: o vale do patriarcado

É certo que não é um atentado atroz à igualdade de género, mas é preocupante a normalização da desigualdade. É nos pequenos detalhes da comunicação que a discriminação se revela. É revelador, de igual forma, de uma conceção patriarcal da hierarquia corporativa: onde os lugares de poder continuam a ser reservados aos homens.

Vale a pena lembrar que a Apple, na sua página dedicada à inclusão, refere que a inovação deve estar aliada à diversidade. Ainda assim, da população total empregada na empresa 68% são homens, e apenas 32% são mulheres.

Mas o esforço pela inclusão parece estar a ser feito. No ano passado, a marca de produtos de higiene feminina Always lançou uma campanha que denunciava a falta de representação do género feminino no léxico de emojis. Meses depois, a Apple atualizou o seu inventário de emojis e introduziu representações femininas em diversas profissões e atividades, onde anteriormente apenas o homem era representado.

Um último teste mostrou que, no caso das profissões, o teclado oferece sugestões mais inclusivas. Mesmo em ocupações que poderiam ser socialmente associadas ao desempenho por pessoas do género masculino, surgem emojis de ambos os géneros. São exemplos as palavras “agente” e “astronauta”.