“Há mar e mar, há ir e voltar” já dizia Alexandre O’Neill numa frase que ficou na memória de muitos e que se aplica perfeitamente à nova coleção do designer português, Luís Buchinho. This is the sea (Isto é o mar, em português) é o nome da linha apresentada na semana da Moda de Paris por Buchinho. A coleção Outono/Inverno 17-18 foi apresentada ao público na passada quarta-feira tendo como principal inspiração o mar, as varinas, os pescadores, as falésias e a costa, tudo tão português.

Na nova coleção de prêt-à-porter,  Luís Buchinho pretende que a sua roupa resista à “erosão do tempo” e que sobreviva à “tendência de moda”. Para isso, o designer apresenta “uma proposta muito urbana, onde as peças têm todas um caráter de proteção em quase todos os coordenados, e roupa que tem um lado que sobrevive à tendência de moda e que ultrapassa muito o espaço temporal” tal como referiu à agência Lusa.

Indo de acordo com essa ideia de resistência o designer português privilegiou o uso de materiais técnicos nesta coleção, como o nylon. Além disso, é visível um “reinterpretar da flanela de xadrez típica das camisas de pescador” e “alguns feltros de lã também com tratamentos para parecerem envelhecidos”.

“Depois [há] também bastantes malhas, bastantes tricotados com ‘jacquards’ de inspiração nas imagens das nossas falésias, das nossas pedras e, também, uma série de sedas onde esse motivo gráfico está representado de uma maneira mais feminina, mais fluída, [enquanto] nas malhas é um pouco mais casual e mais informal, digamos assim”, acrescentou em declarações à agência Lusa, citado pelo Sapo 24.

A paleta de cores, que sugerem a costa rochosa portuguesa, é fundamentalmente marcada por cores minerais, com um grande destaque para os pretos, argilas, brancos, uma gradação de cinzentos e também toques de vermelho. A estas junta-se ainda a tendência dos metalizados, apresentados em peças com lurex induzido, sugerindo “a ferrugem” das rochas. A coleção fica ainda marcada pela existência de estampados de seda com motivos de pedras e argila.

No que diz respeito a silhuetas, Buchinho desenhou com “uma influência muito masculina”, com formas longas, soltas do corpo, sobreposições de saias e calças bem como sacos ‘oversize’ .

Assim a linha assinada por Luís Buchinho coloca-nos lado a lado com o mundo marinho português, sendo essa premissa comprovada pelo próprio designer.

“A inspiração vem do nosso litoral, de toda a costa portuguesa, com todo o universo que ela transmite, tanto em pescadores, barcos de pesca, as nossas falésias, as rochas com cores muito características e com padrões gráficos retirados, de uma maneira muito estilizada, de imagens que eu captei desse ambiente, no Alentejo“, continua.

Por esse motivo, Buchinho tomou a iniciativa de apresentar a sua coleção na Garage Lübeck, um espaço habitualmente utilizado para acolher intervenções artísticas. Foi neste local que a passarela se transformou num armazém das docas com um chão de cimento e paralelos, pilares metálicos, teto de madeira cinzenta e uma instalação branca com luzes suspensas que se refletem num painel de alumínio numa “alusão ao mar” conseguindo um cenário em perfeita sintonia com o trabalho desenvolvido pelo designer.

Foi também em Paris que Luís Buchinho apresentou em primeira mão uma linha de óculos de sol marcada por formas clássicas com inspiração nos modelos da década de 70.

No entanto, ainda esta semana o calendário oficial da Paris Fashion Week Prêt-à-Porter vai estar marcado por mais uma figura portuguesa. No próximo Domingo é a vez de Fátima Lopes apresentar a sua nova coleção no centro de artes e dança Dôme de L’Éléphant Paname.