Finalmente! O tão aguardado final da terceira temporada de How To Get Away With Murder, composto por um episódio duplo. Com tanta informação e tantas revelações, mais vale irmos lentamente por partes. Os episódios He Made a Terrible Mistake e Wes estrearam no canal ABC no dia 23 de fevereiro.

Prioridade n.º 1: resolver o caso de Annalise

O episódio começa com a confissão de Connor (Jack Falahee) perante o grupo, dizendo que esteve efetivamente na casa antes da explosão e encontrou Wes (Alfred Enoch) já sem vida. Ao tentar ressuscitá-lo, ouviu um dos ossos partir. Para além disso, reparou na fuga de gás e foi aí que decidiu escapar da cena.

Oliver (Conrad Ricamora) descobre que Atwood (Milauna Jackson) ligou duas vezes para um número desconhecido – uma na noite da tragédia e outra quando o corpo de Wes foi movido. Tal descoberta levanta suspeitas mas o grupo decide não agir de imediato. Nesta altura, todo o cuidado é pouco e há que dormir de olhos abertos.

Em tribunal, Denver (Benito Martinez) oferece a Frank (Charlie Weber) um acordo de sete anos na prisão, caso contrário ele e Laurel (Karla Souza) serão ambos acusados do homicídio de Wes. Enquanto isso, Connor acredita que devia servir enquanto testemunha, para provar que Annalise (Viola Davis) não teve nada a ver com a tragédia.

Há uma falha que salta imediatamente à vista: Connor estaria a incriminar-se a si próprio. Como tal, Laurel dispõe-se a ser ela a dar o testemunho, mas o tribunal recusa tais declarações ao descobrir que ela, nos seus anos de adolescente, mentiu à polícia sobre o seu desaparecimento. Um esclarecimento rápido: ela foi efetivamente raptada mas mentiu para proteger a reputação do seu pai.

Posto isto, os pedidos de Bonnie (Lisa Weil) vão por água abaixo e as acusações contra Annalise são oficialmente enviadas para julgamento. Neste momento, eu já nem consigo ver Atwood e Denver durante cinco segundos e espero que estes sejam os últimos episódios em que eles aparecem para causar problemas.

Como se isso não bastasse, Connor dirige-se ao escritório de Denver, oferecendo-se para contar a verdade acerca da noite em troca de imunidade. Contudo, ao ouvir o telemóvel tocar, descobre que Denver é a pessoa desconhecida a quem Atwood tinha ligado e o responsável por todas as incriminações que têm sido feitas contra Annalise.

Os Mahoney estão de volta

Charles Mahoney (Wilson Bethel) é libertado da prisão e isto faz com que Annalise marque um encontro com Sylvia Mahoney (Roxanne Hart) para pedir esclarecimentos. No meio da discussão, Sylvia confessa que Wes era, afinal, filho de Charles, sendo portanto seu neto.

Não estou a ver como é que isto é plausível, visto que eles aparentam ter praticamente a mesma idade. Ainda assim, Sylvia continua a insistir em que a morte do marido tem de ser resolvida. Por um lado eu até percebo o lado dela. Embora tenham sido os Mahoney a matar o bebé de Annalise, ver o marido a ser alvejado no meio da rua não foi uma vingança propriamente bonita, na minha opinião.

Enquanto isso, Denver decide manter Connor refém, chantageando-o: ou ele assina o acordo de imunidade ou será acusado de homicídio. Connor, contudo, é inteligente e decide enveredar por uma terceira opção: revelar que Oliver ainda tem uma cópia do telemóvel de Annalise.

Eu confesso que cada vez gosto menos de Connor mas tenho quase a certeza que ser mantido refém foi uma situação ilegal e não percebo como é que Denver não se meteu em sarilhos por ter cometido tal afronta. Enfim, adiante.

O “grande” final

Sabendo que o seu telemóvel está em risco, Annalise confessa que Wes lhe ligou na noite da tragédia, mencionando o seu envolvimento nas mortes de Sam (Tom Verica) e Rebecca (Katie Findlay). Como tal, ela decide usar este voicemail para incriminar Wes e livrar-se de todas as acusações que foram feitas contra ela em tribunal.

O caso é bem sucedido. Laurel, contudo, continua decidida em fazer justiça e está convencida de que Charles Mahoney está por trás de todo o acontecimento. Como tal, ela pega numa arma e vai atrás dele, sendo felizmente interrompida por um velho amigo de família: um jovem de nome Dominic (Nicolas Gonzalez).

Flashback para a noite da tragédia e obtemos a resposta que queríamos: Dominic entrou na casa e sufocou Wes até à morte, abrindo então o gás de modo a criar a explosão. O porquê? Foi contratado pelo pai de Laurel para cometer o crime.

Devo confessar que nunca fiquei tão desiludido com uma revelação como agora, especialmente vinda desta série. O fator chocante até agora era que a série não tinha medo de jogar com as suas personagens principais e envolvê-las nas piores das situações. Eu pessoalmente não me preocupo com os dramas familiares de Laurel e atribuir as culpas a um rapaz que nunca havíamos conhecido antes foi, pura e simplesmente, anticlimático.

Outras menções honrosas

Após o caso estar “resolvido”, importa dizer que Michaela (Aja Naomi King) e Asher (Matt McGorry) admitem finalmente um ao outro que se amam. O sentimento parece ser contagiante, já que Oliver se mete de joelhos e decide pedir Connor em casamento. É impressão minha ou ainda ontem eles andavam às turras um com o outro?

Enquanto isso, Frank volta para casa e decide pedir novamente perdão a Annalise. Esta, contudo, dirige-se a mais uma reunião dos Alcoólicos Anónimos, falando sobre a sua relação com Wes. No meio de lágrimas e de mais uma atuação irrepreensível de Viola Davis, ela acaba por admitir que “perdeu um filho”.

A atuação foi de tal forma boa que eu fiquei sem perceber se pode haver efetivamente a possibilidade de Wes ser filho de Annalise. Esta questão, a par do envolvimento do pai de Laurel na confusão, não é, contudo, suficiente para me deixar entusiasmado para a quarta temporada. Foi a primeira vez que a série me desiludiu, confesso.

NOTA: 5/10