Após um sem fim de críticas acerca das músicas, qualidade das mesmas e da quase miséria em que se transformou o Festival RTP da Canção’17,  o veredito final chega. Passámos os looks em revista e eis o nosso ditame sobre cada uma das semifinais.

#1ª semifinal [19 de Fevereiro]:

Com uma apresentadora que vestia um look digno de ex-concorrente da Casa dos Segredos, Sónia Araújo optou um um vestido preto, bastante descontextualizado é certo. Já no caso de José Carlos Malato, o apresentador optou por um fato azul marinho, sem gravata, clássico e descomprometido, como tem sido a postura mais recente em televisão.

No caso do júri, tudo parece favorável. Dou especial destaque para as juradas, que na grande maioria dos casos, apareciam mais modernas que os concorrentes. O comentário transfere-se da primeira semifinal para a segunda, onde o arrojo poderá ter compensado em detrimento dos candidatos.Márcia trouxe-nos o tema Agora, mas sinto que a cantora deveria ter aproveitado o advérbio e ter vestido algo mais atualizado, menos baiana/mãe de santo.

No caso das Golden Slumbers, o twin set valeu a pena, num conjunto bastante clássico – a uma primeira leitura – mas que não foge ao que é vestido pelas fashionistas internacionais.

Se a Fernando Daniel a popularidade é reconhecida, o coordenado não deixou muito a desejar: de preto não me comprometo, foi o mote seguido pelo vencedor do The Voice Portugal, completado com um bomber jacket metalizado.

No caso de Deolinda Kinzimba, a tentativa de diva dos anos 70, foi completamente ao lado e deixou a voz poderosa da artista ser engolida por um vestido de cantora de coro gospel, cujas argolas decidiu ir roubar à irmã mais velha.

Tão monótomo como a música que cantou, foi aquele preto e branco básico, escolhido por Rui Drumond – até os miúdos saem à noite com mais produção.

Foi em Lisa Garden e no seu revivalismo meio 80’s-meio pop art, que vidrei o meu olhar, mesmo não tendo gostado daquele totó lateral à la Telma Monteiro style.

Eu bem sei que A Outra Face da Lua está com tudo a cinco euros, mas daí ao Salvador Sobral assimilar a tendência “vou só ali à Zé dos Bois ver um concerto daquela banda que ninguém conhece” e transferi-la para o Festival da Canção… Acho que Kiev não se habituará ao que é ser um hipster, mais rápido o via a atuar na esplanada da FCSH.

Por fim – e eis que a poluição visual não tinha meio de terminar – não entendi que suposto dégradé era aquele dos Viva La Diva, mas a cantora estava embrulhada nas cortinas do Finalmente, num Viva muito pequeno e num “La Diva”, muito menor.

#2ª semifinal [26 de Fevereiro]:

Se na primeira semifinal o visual da apresentadora deixou muito a desejar, Tânia Ribas de Oliveira mostrou-se mais magra e com um vestido arrojado em rendas e transparências de cor vermelha. Já Jorge Gabriel não surpreendeu e usou um fato, contudo optou por uma gravata a condizer com a cor do vestido.

Na primeira canção, David Gomes optou por um full white, apesar de não lhe assentar da melhor forma e com uma acessorização que era escusada.

Lena D’Água surge-nos mais moderna que outros concorrentes, o sapatinho de dançarina de salão e as leggings eram só dispensáveis e facilmente trocadas por umas collants e quiçá, por umas sapatilhas.

A parecer que tinha a idade da filha de Rui Águas, Beea arrojou num vestido amarelo, mas muito bege nos sapatos que calçava, parecendo ter mais 10 anos do que aqueles que na realidade tem.

De Pedro Gonçalves  surpreendeu-nos a música mas o outfit ficou muito aquém, “safando-se” o casaco e os óculos, em tendência mais vintage.

Helena Kendall – que não é Jenner, desculpem, mas tive que fazer a piada -, optou por um macacão preto brilhante, numa linha muito 70’s e que se calhar animou mais o público do que a música que tocou.

E eis que depois da quinta canção achava que a Joana Vasconcelos tinha concorrido ao Festival da Canção, mas era só Celina da Piedade, que me faz citar um verso da sua música que nos diz: “Há sempre esperança a renascer”, mas a única coisa da qual não há esperança, é aquele vestido.

Jorge Benvinda, adaptou uma uma onda muito Beatles, muito british e conseguiu um bom compromisso entre o formal e informal, não se levando demasiado a sério. A mistura de padrões foi um truque muito bem jogado!

Com um outfit preso na adolescência, Inês Sousatentou arriscar num look rockabilly, que precisava de mais sal e pimenta, com pena, pois era um look com potencial.

Resta-nos saber o que é que estará reservado para a final, no próximo domingo, 5 de março. Após apurado o vencedor, Portugal será representado em Kiev e esperamos ansiosamente o que o cantor ou cantora irá vestir.

De recordar que a última participação portuguesa no Eurovision Song Contest, foi a de Leonor Andrade em 2015, que vestia um look integral assinado pelo criador português Dino Alves.

Festival da Canção - Leonor Andrade - Festival Eurovisão da Canção