A mítica Livraria Lello desafiou o Porto a tornar-se cidade literária. A cidade reúne os requisitos exigidos pela UNESCO para poder avançar com uma candidatura já no próximo ano de 2018. A famosa livraria avançou, esta segunda-feira, que irá iniciar um movimento a favor deste projeto.

Depois de ter sido considerado O Melhor Destino Europeu de 2017, o Porto continua a dar cartas. As inúmeras livrarias, editoras e bibliotecas distribuídas pelas suas ruas, contribuem para que esta possa ser considerada cidade literária pela UNESCO.

“No fundo, temos de dar todos as mãos e tentar lançar a candidatura em 2018, porque o Porto tem todas as condições e critérios exigidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) para ser considerada uma cidade literária”, frisou, em comunicado à agência Lusa, Manuel de Sousa, responsável pela comunicação da Livraria Lello.

O “movimento para fazer do Porto Cidade Literária começou a começou a 27 de janeiro com a primeira edição das ‘Conversas na Livraria Lello'”, referiu Manuel de Sousa. Neste mesmo encontro foi discutida a “identidade do Porto e do impacto do turismo na cidade”, acrescentou ainda. O objetivo final será criar um movimento na cidade com o apoio da Câmara municipal.

Estas distinções da UNESCO não são novidade para Portugal, Óbidos e Idanha-a-Nova são consideradas “cidades criativas”. São 116 os destinos com esta distinção na área da gastronomia, literatura e artesanato.

Entre as exigências da UNESCO estão os acontecimentos literários, os festivais, a existência de bibliotecas, livrarias e centros culturais, públicos ou privados, que tenham por fim último a promoção da literatura nacional e internacional. O desenvolvimento do setor editorial na tradução de obras nacionais para outras línguas ou vice versa é , também, factor a ter em conta.

Cidades Literárias nos quatro cantos do planeta

As cidades literárias da UNESCO estão espalhadas um pouco por todo o planeta: Edimburgo, Reino Unido (2004), Iowa, EUA (2008), Melbourne, Austrália (2008), Dublin, Irlanda (2010), Reiquiavique, Islândia (2011), Norwich, Reino Unido (2012), Cracóvia, Polónia (2013), Dunedin, Nova Zelândia (2014), Granada, Espanha (2014), Heidelberg, Alemanha (2014), Praga, República Checa (2014), Bagdade, Iraque (2015), Barcelona, Espanha (2015), Liubliana, Eslovénia (2015), Lviv, Ucrânia (2015), Montevideu, Uruguai (2015), Nottingham, Reino Unido (2015), Tartu, Estónia (2015) e Ulianovsk, Rússia (2015).

Estão, ainda, abertas as candidaturas do ano de 2017 para a rede UNESCO até 16 de junho.