Dia 21 de fevereiro é Dia Internacional da Língua Materna, proclamado pela UNESCO, em 1999. Num mundo musical onde o Inglês continua a ser dominante, olhamos para alguns artistas que ultrapassaram as fronteiras do seu país, escolhendo cantar na sua própria língua.

Para escaparmos à habitual cena anglo-saxónica ou americana e treinarmos o nosso poliglotismo, nada melhor que conhecermos bandas de outras coordenadas que têm a ousadia de cantar numa língua que só os seus entendem.
Um desses casos vem da Islândia e tem como nome Sólstafir e são uma alternativa à óbvia escolha dos Sigur Rós – que, sendo maravilhosos, não contam bem pois falam uma língua própria, o hopelandic. Também os Sólstafir partilham do mesmo espírito fantástico e o seu nome significa algo como “luzes do crepúsculo”.

Se no passado recente o francês era a segunda língua mais usual, atualmente ela está na boca de apenas alguns e, também por isso, as bandas que nos sussurram com muitos érres também não proliferam. Felizmente, não é o caso dos Alcest, que têm letras da categoria de um Baudelaire ou de um Rimbaud. – AS

Quando pensamos nas línguas que dominam o mundo da música soul em voz feminina, o italiano não será certamente a primeira que nos vem à cabeça. Nem a segunda ou terceira. Aliás, o mais provável é que nem pensemos nele. No entanto, isso não quer dizer que não haja pela terra da bota ninguém com uma voz capaz de se ouvir até na maior das salas. Há pelo menos uma: Nina Zilli, que é o nome artístico de Maria Chiara Fraschetta e que poderá ser para os italianos aquilo que Áurea será para os portugueses.
A artista, que até participou na edição de 2012 do Festival Eurovisão da Canção – tendo ficado em 9.º lugar – conta com três álbuns lançados, sendo que é no primeiro, Sempre Lotano, que se encontram dois dos seus maiores êxitos: 50mila e L’Inferno.

São já um pequeno fenómeno em Portugal e um pouco por toda a Europa e isso é a prova de que cantar em francês nunca se apresentou como uma barreira para os La Femme. O grupo originário de Biarritz pode não ter nas palavras o principal componente da sua pop electrónica que muitas vezes toma caminhos difíceis de etiquetar.
Mas não deverão ser muitos os fãs banda que, mesmo não sabendo grande coisa de francês (como é o meu caso), não sejam capazes de gritar em plenos pulmões as frases prends le bus de Anti Taxi ou dans le motu, da canção Amour Dans Le Motu. Ambas as faixas fazem parte de Psycho Tropical Berlin, que é o primeiro e melhor sucedido de dois álbuns que a banda já lançou.

Outro artista conhecido por ter conseguido singrar um pouco por toda a parte com a sua língua materna é o brasileiro (que já é tão nosso) Rodrigo Amarante. O cantor e músico do Rio de Janeiro é, no entanto, um caso à parte.
Apesar de grande parte do seu reportório ser constituído por canções em português, este pequeno poliglota canta ainda em inglês, francês e ainda num espanhol muitíssimo oleado, conforme se comprova na canção Tuyo, composta para a aclamada série Narcos. – PQ

P.S: Se te estás a interrogar “tanta coisa e onde é que está o nosso Português?!”, podes clicar aqui e ver uma selecção com temas de músicos portugueses, muitos deles interpretados na língua de Camões.
Artigo escrito por Alexandra Silva e Pedro Quirino.