Enquanto a Team Flash continua a tentar entender como salvar a vida de Iris, em Untouchable a dinâmica de vilão da semana esteve de volta. Sem direito a alcunhas, este era um metahumano com ligações a Flashpoint.

Cuidado: frágil

Julian (Tom Felton), Joe (Jesse L. Martin), e Barry (Grant Gustin) são chamados a uma cena de crime onde o corpo parece entrar num processo de decomposição demasiado acelerado. O mistério sobre quem é o assassino é facilmente desvendado por Barry, através de flashbacks em relação à sua vida em Flashpoint.

A memória de Barry esteve selectiva de uma forma demasiado conveniente neste episódio. Tendo em conta que viveu em Flashpoint alguns meses, não entendo como é que se lembra de pormenores tão específicos de um caso passado tanto tempo. Enfim, mais uma daqueles pequenos mistérios que servem apenas para criar ligações algo descabidas entre todas as trocas e baldrocas temporais que The Flash tem apresentado.

Neste caso, o vilão é um metahumano que no universo paralelo tinha o poder de transformar tudo o que toca em cinzas, uma espécie de toque de Midas sem tanto glamour. É Clive Yorkin (Matthew Kevin Anderson), e foi criado por Alchemy. Se isso poderia ter trazido alguma densidade a Julian, não o fez A crítica em relação a esta não utilização da personagem é talvez demasiado pessoal, pois com tudo aquilo que The Flash está a tentar abordar esta temporada, é natural que algumas coisas fiquem de fora.

Porém, seria interessante ver isso para além de que em todos os flashbacks de Barry em nenhum momento ficamos a entender que Clive Yorkin tinha poderes na outra realidade e a simplicidade do vilão fica bastante aquém daquilo que a personagem de banda desenhada poderia oferecer.

Vingança continua a ser o motivo preferido dos vilões

O que todas as vítimas de Clive Yorkin têm em comum, é que de alguma forma estiveram envolvidos na sua detenção em Flashpoint. É quando chega à vez de se vingar de Joe que, pela sua importância na série, os grandes problemas começam a surgir.

Yorkin ataca-o enquanto está num café com a sua família e a família da sua namorada e se não fosse a presença dos seus dois filhos speedsters, tudo poderia ter terminado aí. Com a distração de Barry, Wally (Keiynan Lonsdaletem tempo para se pôr na pele de Kid Flash e fazer com que a situação se resolva… pelo menos até Yorkin ir atrás de Iris (Candice Patton).

Contudo, devido à inexperiência de Wally, Iris acaba por ser afetada pelos poderes de Yorkin e fica em risco de vida. A única coisa que a pode salvar são os poderes de Caitlin (Danielle Panabaker), que decide mais uma vez lutar contra os seus instintos de Killer Frost em benefício dos seus amigos.

As mudanças súbitas de humor de Caitlin quando os seus poderes começam a levar a melhor de si parecem-me quase tão simplistas quanto as justificações científicas que a série tenta arranjar para algumas das coisas que acontecem. Apesar de ser completamente leiga neste campo, parece que está tudo demasiado aleatório.

Não tão aleatória e já bastante previsível é a relação amorosa entre Caitlin e Julian que parece estar a formar-se. Honestamente Julian ainda não é relevante o suficiente para que consiga ter uma opinião sobre o casal, mas só espero que tenham mais química que o par anteriormente formado por Caitlin e Jay

De aprendiz a mestre

Barry continua a crer que será Wally a salvar Iris das mãos de Savitar e continua a treiná-lo para que seja melhor que ele. Para tal, todas as lições morais e práticas que lhe dá aproximam-no mais do papel que Dr. Wells teve na sua vida. Denota bastante maturidade da sua parte e aí lembro-me que já passaram três anos desde que The Flash começou e recordo todo o percurso que o protagonista já fez.

Neste episódio, Wally tem que aprender a entrar em fase, ou seja, a conseguir vibrar de forma a que o seu corpo consiga ultrapassar objetos sólidos. Apesar de ter muitas dificuldades em fazê-lo, com o exemplo de Barry, que para salvar toda a gente consegue pôr em fase um comboio inteiro, Wally supera-se e é mais uma vez ele quem tem a última palavra na detenção do vilão.

Começa a haver o debate sobre quem é melhor, sendo inclusive posta a questão ao pai de ambos, o que me leva a crer que um dos dois não acabará a temporada com vida. Talvez sejam impressões de quem leu alguns livros de banda desenhada de The Flash, mas eu vou-me começando a preparar para uma despedida.

No final do episódio, Wally recebe a visita de Jesse (Violett Beane) e ficamos a saber que na próxima semana vai haver interações com os residentes da Terra 2, de quem eu pessoalmente já tenho bastantes saudades. Se o ritmo desta semana se mantiver, então tenho a certeza de que serão duas semanas consistentes na qualidade, algo que tem vindo a falhar nesta temporada de The Flash.

NOTA FINAL: 7,5/10