Falámos com Sandy Kilpatrick, artista escocês que se prepara para lançar um álbum dedicado a Portugal.

Espalha-Factos: Confessions from The South é o primeiro de quatro álbuns nos quais pretendes homenagear quatro países importantes para ti: Noruega, Irlanda, Portugal e claro, Escócia. Então, posso perguntar-te o que é que, para ti, torna Portugal tão cativante, estás aqui há 15 anos, certo?

Sandy Kilpatrick: A minha mulher é portuguesa, conhecemo-nos na universidade, em Inglaterra e apaixonamo-nos há 20 anos. Depois vim para aqui viver; no início foi espetacular, e depois tornou-se mais difícil, porque eu não falava português, deixei a minha família, os meus amigos, a minha experiência de vida. Ser um estrangeiro é um desafio, o que, na verdade, faz todo este “brexit”, políticas anti-imigratórias de Trump ainda mais difíceis para mim… Somos todos emigrantes de alguma forma. Nos primeiros anos foi um desafio; depois conheci bons amigos e criei relações, e as coisas começaram a crescer…

Antes tinha vivido em Lancaster, Glasgow, Birmingham, Manchester, grandes cidades; e aqui vivi em sítios e vilas mais pequenas. Portugal é um país fantástico para trazer as crianças de um modo geral. Talvez essa seja a principal razão que me tenha feito ficar. É muito seguro, em relação a outros sítios onde já vivi. Há muitos sítios aqui que eu adoro, e o meu trabalho foi gradualmente guiado por um foco nos sítios, e na natureza em específico: o aspeto sublime da natureza e refletir sobre isso, meditar.. tirar a minha mente de Donald Trump… (risos)

EF: Achas que Portugal apoia as artes?
SK: Eu acho que os artistas não se sentem muito apoiados… Parte de ser um artista é lutar contra o conceito de ser um “artista em luta”… e eu encontrei dificuldades, mas depois também há coisas muito boas… É sempre assim: acontece algo bom e dizem-nos “wooow, foste espetacular!”, e a seguir dão-te um murro no estômago. Mas tens de continuar, qualquer que seja o teu amor: cinema, pintura, poesia, música…

Houve um tempo em que parei, na verdade, porque fiquei desiludido, as coisas não iam na direção certa, então aprendi a desenhar, a meditar… concentrei-me na natureza. Perguntei-me: quero continuar a fazer música, em que sentido, porquê? É difícil porque tenho que tirar tempo da minha família, amigos, fazer sacrifícios, tem que valer a pena. Inspirei-me na natureza. Pensei que a minha vida artística passaria muito por aí.

EF: E onde é que encontras as tuas maiores inspirações, nas paisagens, nas pessoas, no ambiente, no próprio tempo?
SK: A inspiração vem em diferentes formas, tem de ser uma mistura de tudo, seria muito aborrecido escrever só sobre o tempo, ou as paisagens – como seres humanos, queremos ouvir sobre outros seres humanos, coisas fundamentais… Parece um cliché, mas o amor é sempre o maior tópico; no meu caso, eu utilizo estes sítios porque existe um tipo especial de beleza, e os espaços passam pelo meu “filtro artístico”. Tem de ser algo livre, interessante, e cada som tem de ser um mundo por si próprio. Então acho que a minha conexão com os sítios, com as pessoas, tudo se junta. Há muita magia à espera, que ainda não sei onde está.

EF: Como é que ter vindo para Portugal pode ter mudado a tua carreira?
SK: É muito difícil de responder, não sei o que poderia ter acontecido se permanecesse lá, estamos a falar de universos paralelos. Tenho alguns amigos que se tornaram super famosos, e outros que não. Aqui tracei o meu próprio caminho. No início foi realmente difícil, havia artistas com ideias similares, é um pais pequeno, talvez a música que eu faço não seja mainstream/comercial, então há obstáculos em termos de visibilidade. No Reino Unido, há mais oportunidades, mais do que aqui, mas há muita gente a lutar pelas posições top, e não há espaço para todos no top 20.

EF: Quais são as perspectivas a curto prazo aqui em Portugal? Quais serão as próximas apresentações e concertos?
SK: O próximo concerto é a 18 de fevereiro, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima. Depois, o espetáculo é no Theatro Circo em Braga a 17 de março. 17 de março é também a data de lançamento do álbum Confessions from the South, inspirado no nosso Portugal.