No mês em que faleceu Umberto Eco, recordamos este que foi dos nomes mais sonantes das Ciências Humanas. Foi escritor, filósofo, semiólogo, linguista e um apaixonado pela literatura.

Estética, apocalipses e significado

Umberto Eco

Imagem: Books Tell You Why

Nasceu em Alexandria, Itália, a 5 de janeiro de 1932. Tirou o doutoramento na Universidade de Turim com apenas 22 anos de idade, tendo como tese O Problema Estético em S. Tomás de Aquino; com efeito. Os seus primeiros estudos prenderam-se com a estética medieval e a problemática do belo. Apenas na década de 60 Eco debruça-se sobre temas como a pluralidade do significado na obra artística (que, podemos afirmar, marca o início da sua carreira académica na área da Semiótica) e a cultura de massas.

Nesta última temática, é de salientar o seu ensaio Apocalípticos e Integrados (1964), onde questiona as visões apocalípticas que muitos estudiosos apoiavam acerca da cultura e sociedade de massas enquanto destruidora da elite cultural – e propõe antes um estudo aprofundado deste fenómeno.

Só na década de 70 se viria a dedicar maioritariamente à Semiótica, primariamente segundo a visão Lockiana e anglo-saxónica (ainda que nunca se tenha ligado a nenhuma escola do pensamento), tornando-se num dos pioneiros nesta área do conhecimento.

Os seus estudos prendiam-se com a estruturação de um paradigma da disciplina, procurando saber quais os limites da significação e do estudo semiótico. Na década de 90 surgem então obras de maior dimensão pública – Os Limites do Relativismo chega a um mundo pós-moderno e desafia os seus paradigmas.

Além das suas contribuições na área da Línguística e Semiótica, Eco foi também um romancista – ainda que a sua carreira literária tenha começado particularmente tarde.

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Eco, o autor: Mentirosos, monges e conspirações

Umberto Eco

Imagem: BBC

O Nome da Rosa é um nome particularmente conhecido no mundo da literatura. Publicado em 1980, quando o autor tinha 48 anos, venceu o Prémio Strega em 1981 e vendeu mais de 10 milhões de cópias mundialmente. Porém, nem na literatura o autor deixou a semiótica de lado: “o nome da rosa” era uma expressão utilizada na Idade Média para denotar o poder infinito das palavras.

Mas para além do mais conhecido, destacam-se ainda O Pêndulo de Foucault (1988), sobre três amigos que criam a sua própria teoria da conspiração por brincadeira, mas acabam obcecados com ela. E Baudolino (2000), sobre o maior mentiroso do mundo a narrar os seus feitos a um historiador. Em 2015 publica o seu último romance, Número Zero, uma paródia ao jornalismo e às maquinações dos media contemporâneos. Apesar de ser um entusiasta da cultura popular, era também um acérrimo defensor do pensamento crítico, e não poupou as críticas ao sistema mediático.

Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.

(O Nome da Rosa)

Contribuições que ficam no tempo

As suas contribuições, tanto para a literatura como para a academia, foram vastas e dificilmente abaladas pelo tempo e pelo aparecimento de novos paradigmas: as suas obras continuam a ser estudadas e debatidas nas ciências humanas e usadas tanto como objeto de iniciação, como de análise mais aprofundada.

Com efeito, é inegável a importância de Umberto Eco para esta área do conhecimento. O semiólogo veio a falecer a 19 de fevereiro de 2016, em Milão – mas a sua marca perdura.