Após um final altamente chocante, How To Get Away With Murder está finalmente de volta e aquilo que era suposto ser um minuto de silêncio em honra de Wes (Alfred Enoch) acabou por se tornar numa hora inteira – para alguns, literalmente mesmo. O novo episódio, intitulado We’re Bad People, estreou no canal ABC no dia 26 de janeiro.

Com a morte inesperada de Wes e Annalise (Viola Davis) na prisão, os dois grandes dramas no momento giram em torno de descobrir o assassino do primeiro e a entidade anónima que enviou a segunda para a cadeia. Na verdade, este episódio passa completamente ao lado dessas questões e pouco ou nada adiantou.

Cada um lida com o choque de maneira diferente. Laurel (Karla Souza) continua no hospital e completamente drogada dos medicamentos. Asher (Matt McGorry) está profundamente triste. Connor (Jack Falahee) sente uma indiferença perturbadora e chega até a ser insensível. Michaela (Aja Naomi King) foi a minha favorita, ao conseguir manter a postura e apoiar os amigos de forma admirável.

Enquanto isso, Oliver (Conrad Ricamora) já percebeu os crimes nos quais os restantes protagonistas estão envolvidos e decide afastar-se da confusão. Ninguém o pode julgar, sinceramente. Bonnie (Lisa Weil), por seu turno, é a advogada representante de Annalise e começa à procura de maneiras para anular as acusações contra ela.

Ao longo do episódio, fomos prendados com vários flashbacks nos quais cada membro dos Keating 5 teve algum momento especial com Wes. A questão é que, nesta série, e mesmo após três temporadas, os protagonistas andavam sempre envolvidos em tanta confusão que nunca tiveram tempo suficiente para construir uma amizade sólida – daí este luto não me parecer completamente credível.

O destaque do episódio, para variar, vai para Annalise e a sua estadia na prisão. Viola Davis consegue novamente transmitir uma mistura alucinante de emoções: luto, injustiça, tristeza, frustração – tudo isto dizendo muito poucas palavras durante a hora inteira. Annalise mal abriu a boca e, ainda assim, foi o mais transparente que alguma vez conseguiu ser.

Bonnie vê-se incapaz de defender Annalise e ela fica oficialmente à espera de julgamento. Enquanto isso, Laurel confessa que viu alguém na cave da casa minutos antes da explosão e acredita ter sido Frank (Charlie Weber). Inacreditável como Laurel era louca por ele e agora parece odiá-lo com todas as forças possíveis.

Frank continua no seu caminho de redenção e decide dirigir-se à polícia, admitindo a culpa pela morte de Wes. Num flashback, acompanhamos o jovem a partir do momento em que ele saiu da esquadra da polícia e vemos que ele se encontrou com Frank a meio do caminho, apanhando boleia sua.

Frank já fez demasiadas más ações e é óbvio que ele não é culpado desta vez. Ainda é demasiado cedo para descobrir. Posto isto, acho infrutífero dedicar uma hora inteira a recordar uma personagem que já de si nunca foi muito interessante, perdendo oportunidade de avançar de forma consistente nas grandes questões que agora se colocam em cima da mesa. Para uma série tão alucinante, esta foi uma pausa demasiado radical.

NOTA: 6/10