Alberto da Ponte, antigo presidente do Conselho de Administração da RTP, faleceu este sábado, aos 64 anos, vítima de um cancro do pulmão.

Com longa carreira na administração e gestão de empresas, foi nomeado em 2012 para gerir a estação pública, onde permaneceu até 2015.

Num mandato marcado por várias polémicas, chegou a afirmar à revista Notícias TV que na RTP havia “gente que não trabalha puto“, o que agitou o seu relacionamento com a Comissão de Trabalhadores da empresa.

Demissão polémica

A sua demissão, também polémica, acontece depois da aquisição dos direitos de transmissão da Liga dos Campeões por parte da emissora estatal. Alberto da Ponte acreditava que a relevância do serviço público advinha da sua ligação ao público e das boas audiências, o que motivou discordâncias com o, na época recém-criado Conselho Geral Independente (CGI) liderado por António Feijó.

Assim que foi empossado, o novo órgão de gestão do serviço público de comunicação chumbou o projeto estratégico apresentado pelo administrador e propôs a sua destituição. A demissão, que só aconteceu depois de o Governo apresentar um voto de louvor pelo trabalho realizado, resultou também na saída de quase todos os diretores de programas e informação do canal público.

Fotografia: Espalha-Factos

Alberto da Ponte, “o homem que evitou a privatização”

Hugo Andrade, diretor de programas da RTP1 durante a sua administração, recordou hoje uma das pessoas mais combativas que conheceu e “uma época desafiante e dura” em que trabalharam juntos.

Outros antigos diretores da RTP, José Manuel Portugal e Luís Marinho, lembram Alberto da Ponte, que morreu no sábado, como “uma grande pessoa“, “um excelente motivador de equipas” e um “homem competitivo, acérrimo defensor de bons resultados“.

Era um homem muito competitivo e um defensor acérrimo dos melhores resultados. Penso que a história lhe fará justiça por ter sido o homem que evitou a privatização ou a concessão do serviço público da radiotelevisão“, afirmou Portugal em declarações à agência Lusa, sublinhando “a grande honra” que tem em ter trabalhado com Alberto da Ponte.

Era um amigo e sinto muita pena e saudade“, acrescentou Luís Marinho.

Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e com um curso superior na mesma área na Harvard Business School em Boston, nos Estados Unidos, o empresário passou também por empresas como a Jerónimo Martins e a Unilever.

Depois de sair da RTP, Alberto da Ponte voltou à Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que liderou entre 2004 e 2012. Foi desta feita presidente da mesa da Assembleia-Geral, assumindo também funções de consultoria.

c/Lusa