Esta quinta-feira, os fãs de Ouro Verde tiveram a oportunidade de trocar impressões com a protagonista da mais recente novela da TVI. A atriz Joana de Verona participou num live chat através da página oficial da novela no Facebook, onde respondeu a inúmeras perguntas e curiosidades dos fãs.

Verona falou sobre o seu percurso na representação, a sua personagem (Bia) e, como não poderia deixar de ser, sobre a experiência de contracenar com Diogo Morgado na nova aposta do horário nobre do canal de Queluz.

O Espalha-Factos esteve atento e destacamos algumas das melhores perguntas e respostas, que desvendam alguns pormenores pessoais da atriz e dão conta das suas opiniões sobre o seu mais recente trabalho.

Entrevistadora: O que tens a dizer acerca do êxito de audiências desta novela?

Joana de Verona: Esta novela está realmente a ser um grande êxito. Há mais pessoas a ver esta novela do que os jogos do Benfica, o que é bastante incomum. Toda a gente gosta, toda a gente acompanha. As pessoas estão muito motivadas, fazem muitas perguntas, estão muito ligadas à história e, de facto, as audiências são fantásticas. Isso só revela que a equipa se esforçou e que continua a esforçar-se todos os dias, com bastante empenho e com bastante comunicação entre todos nós. Cada departamento tenta dar o seu melhor para fazermos uma coisa que prenda as pessoas e que lhes agrade. É uma história bonita, complexa, porém difícil, problemática… E estamos todos muito contentes com este enorme sucesso.

Lembra: ‘Ouro Verde’ arranca em primeiro lugar

E: Houve muitas pessoas que perguntaram se estás a gostar da personagem e algumas perguntaram qual foi a grande diferença entre a tua última personagem, a Sara (A Única Mulher), e a Bia (Ouro Verde)?

JdV: As diferenças são todas! A Sara era uma mulher muito, muito, muito complexa e tinha toda uma estrutura familiar desconjuntada. Toda a sua rede de relações e afetos era muito complicada e muito negra. Eu adorei fazer a Sara, mesmo. Deu-me imenso trabalho e ainda bem. Guardo-a na memória com muito carinho. Foi uma personagem muito difícil de fazer, causava alguma exaustão emocional, por vezes.

A Bia é outra coisa completamente diferente. É também uma mulher determinada, é uma mulher forte e é uma mulher que é bastante dedicada às suas causas, que acredita no que faz e que aquilo que faz pode ajudar e pode mudar. Tem uma família muito complicada, tem um pai execrável. Tem esta história, este “Romeu e Julieta”, esta impossibilidade de relação com o Jorge por causa do ódio entre as famílias dos dois. Estou a gostar muito de fazer a Bia e ainda há muito a descobrir. Está a ser muito bom.

E: Muitos brasileiros estão a acompanhar Ouro Verde

JdV: Claro. Nós temos sete atores brasileiros fantásticos nesta novela, mais uma luso-brasileira disfarçada que sou eu (risos). Assim, é normal que o público brasileiro esteja a acompanhar, inclusivamente temos umas filmagens no Brasil que estão lindíssimas.

E: Como é que correram as três semanas de gravações no Brasil?

JdV:  Estivemos no Rio de Janeiro, Vassouras e numa parte da Amazónia. Foi muito giro e toda a equipa se divertiu muito.

E: Que conselhos é que poderias dar a quem gostaria de ingressar nesta carreira?

JdV: Ser ator – não importa se numa novela, num filme, num espetáculo – no  fundo é fruto da vontade e da dedicação. O meu conselho é estudar, fazer formação. Dedicares-te, quereres aprender, quereres trabalhar e quereres fazer mal para tentares outra vez e voltares a fazer mal, perceberes as fragilidades e perceberes as forças para trabalhares tudo. Há atores fantásticos que não têm formação e têm muita experiência, está certo, mas o meu conselho é isso: dedicação e aprendizagem.

E: A tua personagem é uma ativista que atua em defesa de causas ambientais. Este tipo de causas também te preocupa?

JdV: Sim, a mim interessa-me, tenho essas preocupações ambientais, tenho essas preocupações a nível do consumo da carne. Eu própria não como carnes vermelhas desde os meus doze anos, por opção, por perceber que não gostava, porque me fazia confusão. Depois a parte ideológica e essa consciência veio mais tarde, porque quando tomei a decisão de deixar de comer carne eu era muito nova.

Tenho preocupação com o meio ambiente, tenho preocupação com os animais, sim, no entanto, [não sou] nem de perto nem de longe como a Bia. Eu acho fantástico que ela o faça, mas o que eu queria dizer é que o compromisso e a sabedoria dela à volta deste tema é muito. O meu estímulo e a minha vontade é ler, estudar e ver filmes, entender quais são as causas de alguns movimentos ambientalistas, quais são as preocupações reais deles. Isto é para a estudar melhor e me adaptar melhor a ela, mas depois é claro que com o que vais descobrindo é impossível ficares indiferente.

E: Com que idade surgiu a tua vocação para o teatro?

JdV: Eu comecei a fazer teatro com oito anos, em Almodôvar, no Alentejo. Depois fui para o Brasil, continuei a estudar teatro, depois vim para Portugal, continuei a estudar teatro. Portanto… foi assim.

E: Como é a tua relação com os teus colegas?

JdV: Damo-nos todos bem, somos um elenco grande e diversificado, ainda que não tenhamos estado todos muito tempo juntos, porque os núcleos ainda estão muito separados, mas estou a gostar muito de ver o trabalho dos meus colegas e o ambiente é ótimo.

E: Como é a tua relação com o Diogo [Morgado]? É difícil gravar as cenas íntimas?

JdV: A relação com o Diogo é boa. A nível profissional, corre tudo bem. Nunca tínhamos trabalhado juntos. Temos cenas difíceis, temos cenas muito intensas e apoiamo-nos nesse sentido. Existe muito companheirismo profissional a esse nível. Nas cenas mais íntimas, como devem calcular, estão mais de vinte pessoas à nossa volta. “Para”, “Olha a mão!”, “Olha a sombra! – é bastante técnico e fragmentado. Não é nada como veem no ecrã. É preciso todo um processo até chegar à cena como a veem, mas para mim é uma cena como outra qualquer.

E: Há semelhanças entre ti e a Bia?

JdV: Há algumas semelhanças, sim, a nível de uma certa alegria, a nível de uma certa vontade de explorar o mundo e de viajar, a nível de uma certa “luz”, talvez. E há uma grande paixão pelos animais, que eu também tenho.

E: Quais são os atores que mais tens como referência?

JdV: É um cliché falar da Meryl Streep, mas ela é uma rainha no que faz, é de facto incrível. Ela é muito versátil e faz coisas que, tecnicamente, poucas pessoas fazem e ela é grandiosa. Mas gosto de muitos atores diferentes. Aprecio o trabalho do Gael García Bernal e do Sean Penn.

E: De que músicos gostas?

JdV: Eu gosto de muitos tipos de música diferentes. Gosto de jazz a bossa nova, música tribal. Gosto desde samba, música popular brasileira, música eletrónica a PJ Harvey, Nina Simone, Patti Smith… tanta coisa diferente!

E: Preferes fazer televisão ou cinema?

JdV: São coisas muito, muito diferentes. Eu tenho mais experiência em cinema e teatro do que propriamente em televisão. A televisão tem outro tipo de desafios e dificuldades, portanto é tentar fazer as três coisas o melhor possível, com as especificidades de cada linguagem. Mas eu evidentemente estou mais dentro de uma linguagem cinematográfica ou teatral. Fazer televisão é difícil, é desafiante e é tão bonito ver como às vezes há cenas tão bem feitas e tão bonitas em tão pouco tempo. É um grau de exigência muito grande, mas fazemo-lo com vontade e com empenho.

E: Então e fora da Ouro Verde, presentemente tens algum projeto?

JdV: Vai estrear um filme, Le Divan de Staline, da Fanny Ardant, no qual eu faço uma personagem bastante pequenina. Aliás, vai estrear dia 20 no Cinema Monumental, e vai para as salas de cinema em Portugal no dia 26. Mas já estreou em França. É uma história interessante para quem quiser conhecer a perspectiva da Fanny Ardant sobre o lado mais pessoal e mais intimista do Estaline.

Depois, vai estrear um filme argentino que se chama Los Territorios, que eu filmei em Barcelona e que vai estrear em Roterdão. Para já está em circuito de festivais. Depois vai estrear o filme Amor Amor, o Praça Paris e ainda vai estrear no Brasil um filme, também brasileiro: África da Sorte. Vai haver ainda o espetáculo Ensaio para Uma Cartografia, de Mónica Calha, com treze atrizes maravilhosas, muitas mulheres num espetáculo muito exigente que vai estar em exibição no Teatro Nacional D. Maria II, de 21 de março a 9 de abril.

Verona encerrou a conversa com agradecimentos aos fãs, e mostrou-se contente por saber que a história está a cativar os telespectadores. Aproveitou ainda para sublinhar o empenho da autora Maria João Costa e a sua preocupação em dialogar com o elenco, de forma a conhecer a perspetiva dos atores sobre as suas personagens.