Tintin no País dos Sovietes, a aventura de estreia do jovem repórter Tintin, do seu emblemático penteado e do seu fiel cão Milu, acaba de ser reeditada numa versão que, finalmente, mostra a cores a primeira viagem do personagem.

Quem conhecer a coleção de banda desenhada já terá percebido que, além de ser o primeiro livro da série, é o único que permaneceu editado a preto e branco ao longo dos anos.

Esta nova edição da visita de Tintin à União Soviética vem recriar as cores originais utilizadas depois nos livros publicados d’As Aventuras de Tintin, sempre pela mão do lendário criador Georges Prosper Remi, mais conhecido por Hergé. Com todas as aventuras somadas, vendeu 230 milhões de álbuns, publicados em 77 línguas.

Duas páginas originais do “Le Petit Vingtième” coloridas por Hergé

Aventuras de Tintin começaram por pequenas histórias

Não se poderá dizer que a tradição foi quebrada já que, depois do encontro com os sovietes, Hergé criou nove volumes de Tintin que ainda foram publicados a preto e branco. Só nos anos 40 é que os relançou a cores, conferindo ao repórter – e à sua poupa e roupas, claro – os tons que lhe são característicos e que ainda hoje são facilmente reconhecíveis.

As Aventuras de Tintim, Repórter do Petit-Vingtième, no País dos Sovietes não foi inicialmente um livro. Foram, isso sim, pequenas histórias e peripécias publicadas semanalmente no suplemento infantil do jornal diário católico e conservador belga Le Vingtième Siècle, a 10 de janeiro de 1929.

Só em 1930, ano em que a direção do jornal pôs fim à colaboração, é que foi publicado como um álbum essa primeira viagem do jornalista Tintin, inspirado no ofício jornalístico e juventude do próprio Hergé, no seu irmão Paul e em Totor, primeiro personagem do autor.

A origem da poupa de Tintin

Apesar da sua ideia original ser a de enviar Tintin em reportagem aos Estados Unidos, Hergé foi induzido pelo editor do jornal a mudar o destino da viagem para a União Soviética.

Assim, aquelas desventuras (e algumas situações absurdas) que retratava seriam o primeiro contacto que as crianças belgas teriam com o regime comunista. Talvez por isso o autor nunca tenha optado por relançar a cores o seu álbum de estreia como já havia feito com outros, e até mesmo porque chegou a admitir ser “um dos erros da [sua] juventude”.

Tintin a cores chega a Portugal pelo outono

A primeira edição deste álbum a preto e branco e em português veio a público apenas em 1999, por ocasião do 70º aniversário do personagem. A edição a cores chegará a Portugal pelo outono deste ano.

O novo livro tem uma primeira tiragem de 300 mil exemplares para o grande público e de 50 mil para colecionadores. Podes já encontrá-lo à venda em francês no site da loja portuguesa de Tintin.

Hergé, a nova capa e a capa original