Sandra Paoli (Hélène Fillières) é uma jovem advogada que, depois da morte do seu tio, tem de assumir o comando de um dos maiores grupos de crime organizado da Córsega, em França. Mafiosa é a nova série da RTP2 e está no ar de segunda a sexta-feira depois do Jornal 2.

Aos 30 anos, Sandra torna-se líder de um dos maiores clãs da máfia. Sozinha num mundo tradicionalmente masculino, violento e cruel, tem à sua espera manipulação, mentira e traições em doses muito elevadas.

No primeiro episódio, é logo colocada à prova: deve sacrificar o irmão Jean-Michel para evitar que todo o grupo caia. Resta saber se terá a serenidade para resolver situações complicadas com os nervos de aço que tinha o tio François Paoli.

A protagonista, que nunca esteve envolvida nos negócios da família, a não ser na defesa em tribunal de vários processos, terá agora de se adaptar rapidamente a um novo tipo de vida.

A lembrar ficção norte-americana

No ar em França entre 2006 e 2014, em Portugal terá os seus 40 episódios transmitidos seguidamente, substituindo assim a mal-sucedida As Últimas Panteras na antena do segundo canal.

A primeira temporada de Mafiosa é realizada pelo canadiano Louis Choquette. O realizador promete uma série com um «estilo muito moderno, montagem ritmada e enquadramento e efeitos especiais a lembrar a ficção norte-americana».

Em conjunto com Engrenages, também já transmitida pela RTP2, esta foi uma das primeiras séries francesas da autoria do Canal + a conseguir transmissão na BBC. Passados quase 10 anos desde a estreia, a emissora britânica é agora apenas uma das mais de 60 estações televisivas a nível mundial que garantiu a sua exibição.

Os parágrafos seguintes podem conter spoilers pouco relevantes.

Inspirada em factos reais?

Isto não é uma obra de ficção. Toda e qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência“, advertiu o Canal + quando estreou a quarta temporada da série, em 2012.

Um dos fatores mais aliciantes da série pode ser mesmo a aparente correspondência entre factos ficcionais e algumas situações do quotidiano real. O jornal Le Point aponta que Sandra Paoli é parcialmente inspirada numa outra Sandra. Sandra Germani, a viúva de Richard Casanova, um lendário líder do grupo mafioso Brisa do Mar, também originário da Córsega.

Na vida real, esta viúva da Máfia é obrigada a suceder ao seu marido e levar por diante os objetivos da quadrilha a partir de Paris, depois do chamado Caso do Círculo de Wagram. Tratou-se de um caso em torno de um casino na Córsega, que foi obrigado a fechar depois de estar no centro de uma luta entre dois grupos mafiosos para alcançar o seu controlo.

Os atores e criadores da série não confirmam a correspondência, mas dois dos atores do enredo foram encontrados à conversa com Michel Ferracci, um dos antigos gerentes da casa de jogo, o que adensou o mistério.

O realizador Pierre Leccia diz que se tratou de “uma absoluta coincidência“. Este responsável pela série diz que, embora a imprensa tenha começado a falar do caso, a verdadeira inspiração foi “a ‘guerra dos jogos’ que assolou Paris durante os anos 70 e que opôs os corsos entre si”, acrescentando que este caso real causou mais de trinta mortos numa autêntica guerra campal entre grupos rivais.

A certa altura da série, também a protagonista Sandra é obrigada a fugir para Paris para fazer valer os seus direitos sobre os negócios familiares. Além disso, ambiciona controlar os círculos de jogo da capital francesa. Similaridades entre as histórias das duas Sandras que continuam por esclarecer.

Os poucos explorados meandros da máfia corsa e todas as suas histórias, mais ou menos próximas da realidade, vão estar no ar em Mafiosa durante cerca de oito semanas. A transmissão na estação pública começa hoje (12).