O drama político de Shonda Rhimes, Scandal, aproxima-se muitas vezes da realidade dos EUA. Desta vez, e sem terem conhecimento disso, estavam a tocar num ponto tão sensível que se viram obrigados a retirar uma linha narrativa da sexta temporada da série.

Segundo aquilo que a criadora de Scandal disse em entrevista à EW, os primeiros cinco episódios, gravados antes de Kerry Washington dar à luz, não foram alterados. Porém, os episódios que lhes seguem foram mudados tendo em conta a situação atual do país.

Shonda Rhimes disse ao site que tinham “literalmente” uma parte da narrativa em que o governo russo tentava desestabilizar os EUA ao interferirem nas eleições do país. Quando estavam a criar o que aí vem para os Gladiators in Suits, ela a equipa de escritores perceberam que tinham que dar um passo atrás.

“Tentamos estar a par com tudo o que se passa em ambos os lados e extrapolá-lo ao nível mais louco possível. Infelizmente, a realidade está a extrapolar-se a si mesma ao seu nível mais louco neste momento”, confessa a produtora.

Este é um dos motivos pelos quais não quiseram ir para a frente com aquilo que já tinham. Esta não seria a primeira vez que Scandal tocaria em temas bastante reais, mas optaram por não o fazer desta feita. Shonda Rhimes lança a pergunta: “Quão macabro queres ser, numa altura em que as pessoas não se sentem felizes?”.

Esta sexta-feira, um relatório do Diretor Nacional de Informação dos Estados Unidos adianta que as três principais agências policiais norte-americanas (CIA, FBI e NSA) acreditam que o governo russo, liderado por Vladimir Putin, terá apoiado ativamente um esforço de pirataria para influenciar o resultado das eleições.

Crenças políticas de Rhimes em Scandal

A responsável pela programação de quinta à noite da ABC, nunca foi grande fã de Donald Trump, tendo aproveitado o Twitter para mandar algumas indiretas ao candidato durante a campanha eleitoral. Para além disto, na sua quinta temporada, Scandal fez uma caricatura de Trump, através da personagem Hollis Doyle. A diferença é que a personagem de Gregg Henry não passou das primárias do Partido Republicano.

Na mesma entrevista à EW, Shonda Rhimes disse ainda que pensava que muitas das coisas que tinham escrito nunca passariam de “fantasia” e que poderia escrever sobre estas porque “nunca iam ser verdade”. Tirando esta linha narrativa sobre a Rússia não sabemos que mais terá sido mudado pelas contingências da realidade.

Scandal regressa dia 19 de janeiro. Durante os primeiros 10 minutos saberemos quem é o próximo presidente dos EUA – se Mellie se Francisco Vargas . É também nestes primeiros minutos que haverá uma morte.