Após o susto de ter sido cancelada pela ABC, a sua produtora original, os fãs fizeram-se ouvir e a série Nashville foi resgatada pela CMT. O dia 5 de janeiro trouxe a estreia da quinta temporada, com os episódios The Wayfaring Stranger e Back in Baby’s Arms. Duas horas que levaram a série de volta às suas raízes.

Rayna (Connie Britton) abre o primeiro episódio, numa viagem de carro pelo campo. Ao parar numa estação de gasolina, ouve um idoso cego a cantar Wayfaring Stranger, uma das mais famosas músicas country e a sua favorita desde criança – e também uma das minhas preferidas, diga-se de passagem.

Somos então transportados para três semanas antes, onde vemos que Juliette (Hayden Panettiere) é a única sobrevivente do acidente de avião, tendo sido resgatada por uma jovem que apareceu milagrosamente na cena – um “anjo”, como a própria Juliette gosta de apelidar.

A protagonista fica então presa a uma cadeira de rodas, depois de perder toda a sensibilidade nas pernas. Embora Avery (Jonathan Jackson) continue presente para apoiar a esposa, Juliette sente-se no fundo do poço, dizendo que o acidente foi consequência de todas as suas más acções. Embora ela possa ter um pouco de razão, estamos todos contentes por ela estar viva, pois a série não seria nada sem ela.

Rayna assiste à decadência assustadora da sua produtora, Highway 65, após terem de gastar 275 mil dólares para tirar Maddie (Lennon Stella) da produtora concorrente e de Gunnar (Sam Palladio) e Scarlett (Clare Bowen) terem sido expulsos da digressão de Autumn Chase. O futuro não parece brilhante por estes lados.

Por falar em Maddie, ela continua uma adolescente irritante, ignorando qualquer tentativa de aproximação por parte da sua irmã mais nova, Daphne (Maisie Stella). Contudo, quando Scarlett diz que colaboração é por vezes fundamental neste negócio, Maddie aceita a ajuda de Daphne e a dupla prende-nos com mais um dos seus mágicos momentos musicais.

Com todas as complicações na sua vida profissional, Rayna acredita que já não sabe quem é enquanto artista. Ao conhecer um dos seus mais fervorosos fãs, de nome Zach (Cameron Scoggins), a cantora acredita que tem de voltar a conectar-se com o seu passado e com toda a dor que a levou a fazer música em primeiro lugar.

É então que voltamos à cena que abriu, na qual Rayna decide dispensar uma viagem de avião – e ainda bem, porque tal não parece boa ideia por agora, dada a tragédia com Juliette. A meio da sua viagem de carro, Rayna junta-se ao dito idoso e canta com ele Wayfaring Stranger, relembrando os fãs que estes momentos simples e poderosos foram a razão pela qual nos apaixonámos pela série desde o início.

Passamos então ao segundo episódio. Will (Chris Carmack) está a celebrar o seu aniversário com o namorado, Kevin (Kyle Dean Massey), quando conhece um dos mais famosos designers de moda do país, Jakob Fine. O homem está claramente a seduzir Will mas Kevin, sendo o melhor namorado de mundo, finge que tal não passa de uma brincadeira inocente.

Rayna decide que está na altura de Gunnar e Scarlett lançarem um novo single, que foi uma música que o primeiro escreveu acerca de uma das suas ex-namoradas. Scarlett não encara a situação de ânimo leve e recusa-se a ir avante com o projecto, questionando até a sua relação com Gunnar. Ela claramente tem andado a passar demasiado tempo com Maddie e precisa de ter mais calma naquilo que diz.

Juliette apercebe-se de que não está em paz com a sua tragédia e pede a Avery que a leve até ao local do acidente, questionando novamente o porquê de ela ter sido a única sobrevivente. Na viagem de regresso, a protagonista ouve um coro dentro de uma igreja e dá de caras com a sua salvadora, que é um dos membros do coro.

Will decide ir a uma festa organizada pelo dito designer de moda, na qual ele o tenta beijar. Agora que ele assumiu a sua homossexualidade, parece ter todos os homens atrás dele. Will recusa o beijo mas decide esconder a situação de Kevin. Isto claramente não foi boa ideia, pois as verdades eventualmente vêm sempre ao de cima.

De modo a colocar a sua carreira de novo no topo, Rayna decide que quer escrever um álbum, em conjunto com Deacon (Charles Esten), sobre a relação de altos e baixos que os dois sempre tiveram. Deacon leva para casa o prémio de melhor marido, já que não considera o álbum uma boa ideia mas decide ir avante apenas para agradar Rayna.

Juliette volta à igreja, na tentativa de contactar a sua salvadora, mas o padre diz que ela não quer qualquer forma de publicidade ou atenção. Juliette deixa o seu número de telemóvel, para que a rapariga, Hallie (Rhiannon Giddons), a possa contactar quando quiser. Apertem os cintos, amigos, pois estamos prestes a testemunhar a viagem de Juliette em busca de Jesus.

Mais uma cara nova que entra em cena: o novo estagiário de redes sociais e marketing digital da Highway 65, de nome Clay (Joseph David-Jones). Aparentemente, também ele é um grande fã de Rayna – talvez até demais. Quando ela recebe um ramo de flores em casa, pensa ser um presente de Deacon, mas este diz que não. No meio de tanta confusão, a última coisa que Rayna precisa agora é de um admirador secreto.

Scarlett decide pôr os pés na terra e aceita cantar a música com Gunnar. O outro casal, Rayna e Deacon, decidem também avançar com o novo álbum. Enquanto todos parecem ter planos para o seu futuro, Juliette é a única parada, apenas preocupada com a sua recuperação.

Agora com um elenco mais reduzido, Nashville mantém a sua essência musical e dramática, concentrando-se contudo nos momentos mais simples e na forma como estes constroem (ou destroem) as relações entre as personagens. Embora ainda seja cedo para criar uma opinião devo dizer que esta mudança para a CMT parece estar a dar frutos e que Nashville teve um regresso adequado àquilo que a série é suposto ser.

NOTA: 8/10