Os rankings das app stores são uma das formas de procurarmos um aplicação que nos seja útil e popular. A combinação destes dois fatores resulta naquilo que podemos considerar a escolha acertada. Mas devemos mesmo confiar nestes tops?

A seguinte imagem, já com um ano, tornou-se viral na rede social chinesa Weibo, e mostra uma jovem que foi identificada como sendo uma clickfarmer. A sua função é instalar, desinstalar e voltar a instalar, repetidamente, diversas aplicações em vários equipamentos para inflacionar os rankings nas app stores.

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Clickfarmer a manipular rankings das lojas de aplicações.

O serviço, com alegada capacidade para colocar uma aplicação no top 10 das apps gratuitas, tem um suposto custo inicial de onze mil dólares, seguindo-se o pagamento de sessenta e cinco mil dólares semanais para manutenção do ranking.

No mercado online chinês Taobao existem várias dezenas de fornecedores. Se visitares a hiperligação deste parágrafo, vais reparar que a maioria tem o custo de um yuan (aproximadamente 0,14 euros), deixando provavelmente as negociações dos valores e duração para serem feitas através de chat.

Não há confirmação oficial de que se trata de uma clickfarmer, mas o facto de ter vários equipamentos iPhone 5C à frente, e de ser visível uma outra mesa que parece ser igual, torna essa desconfiança numa possibilidade bem real. Em 2012, o site Venture Beat abordou esta questão e as dificuldades inerentes à deteção deste tipo de aldrabices, e cita um caso de uma empresa que foi banida da iTunes Store por utilizar estas práticas menos corretas.

Não só de rankings adulterados vivem os scammers

Não são apenas os rankings das apps a ser alvo de deturpação. Até mesmo as análises às aplicações e os comentários que recebem são adulteradas. Esta questão já chegou a ser levantada na página de suporte da Apple.

Isto obrigou a Google e a Apple a alterar diversas vezes os algoritmos utilizados para os tops. Uma solução que nem sempre é a melhor, já que atualmente esses mesmos algoritmos parecem dar primazia às avaliações dos utilizadores e assim abrem as portas a mais aldrabices.

Tudo isto é especulativo, bem sei, mas a verdade é que estas empresas têm aplicado medidas para minimizar isso, por isso é bem possível que aconteça e até a uma escala maior do que se possa pensar.

App stores: um campo minado

Talvez possas achar um exagero da minha parte e que pareço um anunciante da desgraça e do fim do mundo, mas garanto-te que não é. Há uns tempos tive esta discussão com um dos meus contactos no Twitter, o @jmcest, precisamente sobre isso. Ele escreveu, e com razão, que escolher aplicações na Play Store é como andar num campo minado. O mesmo se aplica a outras app stores.

Dou-te um exemplo: em abril de 2016, investigadores da firma de segurança russa Dr. Web detetaram o mesmo trojan em 104 aplicações da Play Store. Estas apps faziam-se passar por editores de imagem, wallpapers animados, entre outros, mas a maioria delas nem sequer fazia o que tinha na descrição.

Assim que era feita a instalação de uma destas aplicações maliciosas, o malware começava imediatamente a recolher 30 tipos diferentes de informação sobre o utilizador e enviava isso para um servidor remoto. Mais, apresentava popups para incentivar ao download de mais apps maliciosas.

E tu, confias nos rankings e comentários da app store que utilizas?