Uma análise dos temas que estiveram na agenda dos media portugueses em 2016 revelou a política e o futebol como temáticas dominantes. O estudo, organizado pela agência Cision Portugal, revelou as figuras e instituições com maior representação mediática durante os últimos doze meses.

“Geringonça”, senhor professor

As eleições legislativas foram em 2015 mas a “geringonça” continuou a fazer correr muita tinta durante este ano. A união de partidos de esquerda foi uma solução inédita na democracia portuguesa e marcou um virar de página da austeridade.

Um ano depois da tomada de posse do XXI Governo Constitucional, o Governo foi a instituição mais presente no discurso dos órgãos de comunicação social nacionais: com mais de 200 mil referências apontadas.

O primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foram as personalidades sobre as quais mais se falou. Costa foi o nome mais recorrente, mencionado 124.767 vezes. O presidente surge no sexto lugar da tabela, com 111.156 referências.

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No cenário internacional, e com 65.513 menções, a Comissão Europeia é a única entidade que integra a lista das mais faladas em 2016.

Notícias

Futebol vs. política

Na disputa entre as entidades mais mediáticas, o futebol saiu a ganhar e, em conjunto, os três “grandes” do futebol português totalizaram mais de 490 mil referências nas notícias. Na Primeira Liga de 2015-16, o Sport Lisboa e Benfica sagrou-se tricampeão e foi também vencedor no campeonato mediático: com 182.191 menções nos vários géneros jornalísticos.

Ainda no relvado, a Seleção Portuguesa de Futebol é a 13.ª entidade no ranking e Cristiano Ronaldo é a única figura do desporto a estar presente. O vencedor da Bola de Ouro foi protagonista de mais de 47 mil notícias.

Caça ao crime, em direto

A Guarda Nacional Republicana assegurou o oitavo lugar na compilação. Grande parte das mais de 82 mil referências à força de segurança estiveram relacionadas com a “caça ao homem” suspeito de matar duas pessoas em Aguiar da Beira. Pedro Dias é suspeito de homicídio de um agente da GNR e de um civil e entregou-se às autoridades em novembro.

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Polícia de Segurança Pública é o outro organismo de segurança com presença no ranking, com 62.259 referências. “O destaque que PSP e GNR assumiram está relacionado com a consolidação de meios de comunicação que dão particular atenção ao mundo do crime”, escreveu a Cision no comunicado.

Lembramos que a CMTV atingiu picos de audiência e se posicionou como canal líder na televisão por cabo em 2016. A detenção do suspeito foi também acompanhada em direto pela RTP3.

Os objetos deste estudo foram todas as notícias veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social. O estudo incidiu sobre o período temporal entre os dias 1 de janeiro e 15 de dezembro de 2016, e sobre um total de mais de cinco milhões de peças jornalísticas.