Nesta época é habitual estarmos a celebrar o Natal, tendoem conta o facto de vivermos numa sociedade maioritariamente conduzida por tradições católicas. Contudo, que tipo de celebrações têm outras religiões que visam juntar família e amigos num momento de reflexão? O Espalha-Factos fez um pouco de pesquisia e apresenta-te a algumas cerimónias um tanto similares ao Natal.

Bodhi Day – Budismo

Esta celebração Budista costuma ocorrer a 8 de dezembro ou no domingo que antecede a data. O dia é dedicado ao momento no qual o príncipe Siddhartha Gautama (mais conhecido como o Buda), na sua busca pelo significado da vida, se sentou debaixo de uma àrvore de Bodhi. Após um perído de meditação, terá sido esse evento que levou a que o Buda conseguisse a iluminação que o caracteriza, o que lhe permitiu escapar ao ciclo da reencarnação (que envolve o nascimento, a vida, a morte e o renascimento).

Muitos budistas celebram esta ocasião de várias formas e com vários nomes.  No Japão a ocasião denomina-se como Rohatsu, na China como Laba (ambas as denominações significam literalmente “o oitavo dia do 12º mês”).

As formas de celebração desta ocasião variam. Os procedimentos habituais na celebração da ocasião passam por momentos de meditação, estudo e leituras do Dharma (um conceito também presente em religões tais como o Hinduismo), assim como de textos budistas. À semelhança da ideia passada pelo Natal, no Bodhi Day, muitos budistas aproveitam para revelarem o seu lado solidário.

Em muitas casas de budistas, quando chega a data desta celebração, é habitual verem-se as suas casas decoradas com várias luzes de várias cores, como uma alusão aos vários caminhos que um indivíduo percorre até atingir a iluminação que caracteriza o Buda. Há budistas que têm em casa plantas denominadas como Fiscus Trees, que são decoradas com essas mesmas luzes, assim como com ornamentos que representam as Três Jóias: o Buda, o Darma e o Sanga.

Nesse dia é habitual existir uma refeição constituída apenas por arroz e leite, visto que foi esta a primeira refeição do Buda após o seu longo período de meditação. Outro dos costumes associados a esta tradição passa por acender uma vela durante 30 dias a partir do dia 8 de modo a aludir ao processo da iluminação.

Hanukkah – Judaísmo

A celebração do Hanukkah é conhecida por ser o Natal judaico, embora isso não seja totalmente verdade. O motivo que leva os judeus a celebrar o Hanukkah, na mesma época que os cristãos, não é o nascimento de Jesus, porque esta data não tem o mesmo significado para eles.

Esta festividade é uma celebração de oito noites conhecida por Festa das Luzes. Durante mais de uma semana, os judeus comemoram a libertação e reconquista do Templo de Jerusalém pelos Macabeus, antes ocupado por celebrações pagãs. A lenda conta que depois da conquista do templo, a Menorah – um candelabro de nove braços – ficou acesa oito noites, quando tinha apenas azeite suficiente para uma. São essas oito noites que os judeus celebram durante o Hanukkah.

A data, curiosamente, coincide com a época do Natal, mas varia todos os anos, entre o fim de novembro e início de dezembro, de acordo com o calendário judaico lunar.

Eid al-Adha – Islamismo

Os feriados na religião muçulmana são estabelecidos consoante o calendário lunar. O Eid al-Adha, conhecido como a Festa do Sacrifício, ocorre imediatamente a seguir ao Hajj, a peregrinação a Meca. Normalmente esta celebração ocorre no 12.º mês do calendário islão.

A Festa do Sacrifício rememora o dia em que Abraão seguiu as instruções do Senhor e sacrificou o seu único filho Ismael. Depois de concluída a terrível ação, Deus recompensa-o com um cordeiro. Assim, Abraão provou a sua fé ao seu Senhor.

Hoje, na Festa do Sacrifício um animal é sacrificado. Depois os familiares dividem entre si a carne, a restante é partilhada com os mais pobres. O animal sacrificado tem que ser macho, saudável, e em idade adulta. Nesta data são também partilhados presentes.

O Eid al-Adha chega a durar quatro dias nos países árabes.  No primeiro dia as famílias vestem as suas melhores roupas e oram juntas a salat. Os sacrifícios devem ser oferecidos só após a oração.

Algumas comunidades islamitas não têm oportunidade de sacrificar um animal, em alternativa é oferecida carne aos amigos e familiares mais próximos.

Solstício de Inverno – Vários

O solstício de inverno – comummente conhecido como o dia mais curto do ano, ou a noite mais longa – acontece normalmente a 21 de dezembro no hemisfério norte e marca o início do inverno. Esta data, que não é mais do que o dia do ano em que o Sol atinge a declinação mínima em relação ao equador, começou a ter significado para alguns povos.

Os ateus, sobretudo nos EUA, comemoram a entrada na nova estação. Os aborígenes americanos também celebram a data, que associam a rituais e crenças, como é o caso da tribo Hopi, com as cerimónias Soyal, que duram 20 dias e incluem momentos para abençoar casas ou animais.

Yule – Wicca

O Yule é uma celebração Wicca, uma religião neopagã que, influenciada pelas crenças e práticas cristãs da Europa Ocidental, afirma a existência do sobrenatural e de magia.

Contudo, o Yule existe desde os tempos pré-cristãos, sendo comemorado pelas tribos neolíticas do norte da Europa e tornando-se, para muitas tradições Pagãs, o início da roda do ano, que inclui todos os oito feriados solares do Neopaganismo.

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O Yule é celebrado no Solstício de Inverno, e tem normalmente início entre o dia 21 e 23 de dezembro no Hemisfério Norte e entre 21 e 23 de junho no Hemisfério Sul. Na tradição nórdica, é considerado o Ano Novo e representa o renascimento do Sol.

Os pagãos Germânicos tinham o costume de celebrar o Yule durante doze dias, chegando ao início de janeiro. As cerimónias Wiccans variam consoante a preferência dos seus praticantes, com uns celebrando-as em casa e outro em covens.

Zartosht no-Diso – Zoroastrismo

Celebrado pelo zoroastrismo, religião persa, o Zartosht no-Diso é um importante dia de luto, comemorado no 11º dia (Khorshed) do 10º mês (Dae) do calendário sagrado, que corresponde ao dia 26 de dezembro. Tem como por objetivo comemorar o aniversário do profeta Zaratustra, o fundador da religião, e que teria morrido aos 77 anos, assassinado enquanto rezava diante do fogo sagrado do seu templo.

Durante este dia, o luto é celebrado com palestras e discussões acerca da vida e obra do profeta. Rezas especiais são recitadas e fazem-se visitas ao templo do fogo, que, neste dia, é bastante frequentado pelos praticantes do zoroastrismo.

Artigo escrito por Inês de Freitas, Sara Sampaio, Serenela Moreira e Tiago Costa.