Estamos quase, quase no final do ano e é sempre hora de fazer o balanço daquilo que ouvimos durante 2016. Como gostamos é de recordar aquilo que nos aquece o coração, aqui ficam alguns daqueles que consideramos como os melhores do género em 2016.

Antes de passarmos à ação, uma aviso à navegação: sim, dividimos por géneros, mas não são divisões à risca. Afinal, gostamos todos de música e sabemos o quão difícil é segmentar as coisas por género musical. Pensemos, então, neste título como um grande “chapéu” para albergar esta lista.

Em segundo lugar, apesar de sermos uma equipa composta por várias pessoas, obviamente que não conseguimos ouvir tantos álbuns quanto gostaríamos. Logo, é provável que alguns dos teus favoritos fiquem de fora desta lista. Mas claro que gostaríamos de os saber nos comentários!

Por fim, há uma razão para não haver álbuns portugueses nesta lista. Estamos a guardá-los para uma selecção exclusivamente nacional. Depois contamos-te mais. Ora vamos lá às escolhas – sem qualquer ordem em particular.

Luís Pereira

Kendrick Lamar – untitled unmastered – março

Depois de To Pimp A Butterfly ter saído em 2015, nunca pensámos que o regresso de Kendrick Lamar poderia estar à altura. Mas esteve, e do nada surge untitled unmastered. Ao vivo a energia é ainda maior.

Childish Gambino – Awaken My Love – dezembro

Provavelmente o álbum de hip-hop mais forte deste ano. A estadia de Donald Glover em Atlanta parece ter dado resultado. Este disco tem tudo certo: gospel q.b. e sick lines à medida.

Chance the Rapper – Coloring Book – maio

O meu disco preferido deste ano, facilmente. Chance the Rapper vale a pena por desafiar a indústria da música. Colocou a mixtape sem custos na internet, e mesmo assim ser nomeado para inúmeros prémios. A cena musical de Chicago ainda não morreu.

Cátia Rocha

Anderson .Paak – Malibu – janeiro

Confesso que, na altura de lançamento deste Malibu, a questão passou-me completamente ao lado. Na altura de pensar nos melhores discos do ano, olhei para os calendários de lançamento e chamou-me à atenção o título. Malibu é bem conseguido e, provavelmente, o cartão de visita que consolida Anderson .Paak como um nome que assina colaborações com nomes fortes do meio (como Talib Kweli) e que nos dá um funk bem gostoso em alguns temas. Room in Here pede uma ajuda a um já menos recordado The Game e Come Down tem um refrão completamente contagiante. Anderson .Paak vem a Portugal em 2017, como convidado do concerto de Bruno Mars, no MEO Arena, em abril. A avaliar por este Malibu, quase merecia uma data só para ele…

Kanye West – The Life of Pablo – fevereiro

Se é difícil continuar a ser fã de Kanye West por estes dias? Sim, completamente. Mas uma coisa são as reuniões, declarações e tweets deste senhor e outra é a magia que é capaz de fazer em estúdio (porque, sim, consegue). No início de 2016, chegava este The Life of Pablo (fka Swish) e, pessoalmente, confesso que as primeiras audições e digestão do álbum correram muito melhor que com o antecessor Yeezus – que, curiosamente, foi amadurecendo com os anos, pelo menos aos meus ouvidos. Apesar de todas as confusões, com Famous e Taylor Swift ou a eterna dica “Imma go to the studio fix Wolves” há temas muito saborosos neste TLOP. Ultralight Beam brilha logo, com um verso de excelência de Chance The Rapper, e No More Parties in LA, com Kendrick Lamar, também conquista apreço.

Danny Brown – Atrocity Exhibition – setembro

No seu quarto álbum de estúdio, Danny Brown é inconsistente, caótico, aleatório até. Mas é a viagem desta exibição com atrocidades que conquista – há colaborações fortes, como Kendrick Lamar, Earl Sweatshirt ou a apaixonante Kelela. Danny Brown continua a experimentar, é verdade, mas ele até avisa que isto é uma Downward Spiral, logo na primeira faixa.

J. Cole – For Your Eyez Only – dezembro

Há quem diga que foi um pedaço de esperança no final de 2016. Com dez temas, Cole mostra que o hip hop não tem de girar sempre à volta de bad bitches and booze. Um disco maduro, com um tom de serenidade. She’s Mine Pt. 2 é de fazer surgir uma lágrima no olho. Foldin’ Clothes é a maior declaração de amor possível, ponto. E Ville Mentality? Mal das listas de melhores do ano publicadas antes deste lançamento.

Gonçalo Almeida

Childish Gambino – Awaken My Love – dezembro

Não sendo eu um apreciador de hip-hop, gosto bastante deste último álbum de Childish Gambino e tem tudo para ser – ainda mais – um sucesso. Veio tarde mas claramente a tempo de ser um nos melhores do ano misturando vários estilos musicais com o gospel a saltar imediatamente no ouvido mais sensível.

Chance the Rapper – Coloring Book – maio

Dos três, provavelmente o meu favorito. Depois da bastante elogiada mixtape lançada em 2013, Acid Rape, as expectativas estavam bem lá no cimo e o músico conseguiu atingi-las graças a temas como Same Drugs ou as parcerias com Kanye West em All We Got e Lil Wayne em No Prblem.

Noname – Telephone – Julho

O nome menos conhecido do trio. Fatimah Warner, mais conhecida por Noname, lançou a sua primeira mixtape Telephone. De Chicago, a rapper tinha-se chegado à frente no hip-hop em 2013 com Chance The Rapper e é uma voz feminina que promete muito.
Daniel Dantas

Chance the Rapper – Coloring Book – maio

Chancelor Johnathan Bennett, vulgarmente conhecido como Chance the Rapper, parece não descansar e, após o lançamento de duas mixtapes, regressou em grande forma com Coloring Book, que contou com colaborações de artistas como Kanye West, Kaytranada e até mesmo Justin Bieber. Para quando um álbum?

Kanye West – The Life of Pablo – fevereiro

The Life of Pablo, o sétimo álbum da discografia de Kanye West, foi um dos primeiros lançamentos do presente ano com maior expressividade dentro do género, bem como um dos mais controversos, não fugindo ao seu registo habitual. No More Parties in LA, Famous e Real Friends são alguns dos destaques deste trabalho do norte-americano.
Alexandra Correia Silva

Vince Staples – Prima Donna – setembro

Um misto de géneros no meio da batida e palavra costumeiras mas num tom mais agressivo, cru e direto ao osso. Em poucos temas – o EP tem seis mais uma introdução fabulosa – Vince Staples reflete sobre si e a sua obra e deixa-nos a salivar por um novo longa-duração.

Common – Black America Again – novembro

Fã confessa de Common desde essa pérola que foi Be (2005) a dispersão do rapper pelo cinema, TV e participações com outros músicos pareceram sempre redundar num certo desleixo nos seus próprios discos. Black America Again parece vir contrariar essa tendência ao voltar a dizer nos beats e samples algumas das coisas mais importantes do momento atual.

A Tribe Called Quest – We got it from Here… Thank You 4 Your service – novembro

André 3000, Kendrick Lamar, Jack White, Elton John, Kanye West, Anderson .Paak, Talib Kweli… ok, não é preciso dizer muito mais depois desta lista de colaborações, pois não? Fusão de estilos, energia contagiante, língua afiada e um disco para rodar muitas e muitas vezes.